Isabella Botelho; 14/06/2019 às 15:32

Dia Mundial do Doador de Sangue: LGBT+

O Brasil desperdiça anualmente 18,9 milhões de litros de sangue por conta de restrição a homossexuais

Você com certeza já ouviu falar em grandes personalidades como Ricky Martin, Neil Patrick Harris, Cheyenne Jackson, Marco Nanini e Elton John. Mas você sabia que se um deles fosse doar sangue em algum hemocentro brasileiro, seria barrado na triagem por manter relações sexuais com homens? No Brasil, homens homossexuais só podem fazer doação sanguínea se passarem um ano completo sem manter relações sexuais.

A restrição representa um desfalque considerável no estoque de bolsas de sangue. Em 2014, apenas 1,8% da população brasileira doou 3,7 milhões de bolsas de sangue, o que, apesar de ser muito, não atinge a cota ideal estipulada pela Organização das Nações Unidas (ONU) de que 3 a 5% da nação seja doadora. Segundo o IBGE, 101 milhões de homens residem no Brasil, dos quais 10,5 milhões é homo ou bissexual. Considerando que cada homem pode doar quatro vezes ao ano, a restrição a essa parcela da população desperdiça 18,9 milhões de litros de sangue.

De acordo com o Ministério da Saúde, os 12 meses de abstinência sexual fazem parte de um conjunto de regras sanitárias para proteger quem vai receber a transfusão de possíveis infecções. As portarias seguem a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) sobre a restrição de HSH, de que todas as amostras de sangue sejam analisadas e de que os doadores sejam de baixo risco. O Ministério e a Anvisa afirmam que orientação sexual não deve ser usada como critério para seleção de doadores e que as regras não são discriminatórias. Mas a realidade dos hemocentros não é bem assim. Contraditório, não?

Tecnicamente, o critério de seleção deve recusar a prática sexual, por ser considerada de risco, e não a orientação sexual ou a identidade de gênero. A contradição é aparente: a recusa do sangue doado por homens gays vai contra a noção de que as regras não excluem doadores de acordo com sua sexualidade.

Nesse mês de junho, a Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Estado do Amazonas (Hemoam) está promovendo o Junho Vermelho, campanha em prol da doação de sangue, que coincide com o mês do orgulho LGBT e luta contra a LGBTfobia. Dos 4 milhões de amazonenses, 510 mil são cadastrados como “doador voluntário” no Hemoam. Destes, apenas 9 mil comparecem com regularidade ao longo do ano.

Atual estoque de sangue do Hemoam (Fonte: Hemoam)

Critérios para doar sangue:

– Idade entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos e menores de idade devem possuir consentimento do responsável legal;

– Pesar no mínimo 50 kg;

– Estar alimentado;

– Ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas;

– Apresentar documento de identificação com foto

Impedimentos:

– Gripe, resfriado e febre: aguardar no mínimo 7 dias após o desaparecimento dos sintomas;

– Período gestacional;

– Período pós-gravidez: 90 dias após parto normal e 180 após cesariana;

– Amamentação: até 12 meses após o parto;

– Ingestão de bebidas alcoólicas: 12 horas após o consumo;

– Tatuagem e/ou piercing nos últimos 6 meses (piercing em cavidade oral ou região genital impedem a doação);

– Exames/procedimentos com utilização de endoscópio nos últimos 6 meses;

– Ter estado exposto a situações de risco acrescido para doenças sexualmente transmissíveis (aguardar 12 meses após a exposição)

A doação de sangue é um ato altruísta e totalmente voluntário que pode salvar vidas. Milhares de pessoas que se submetem a tratamentos e intervenções médicas urgentes de grande porte e complexidade dependem desse ato solidário. Por isso, selecionamos algumas campanhas que podem encorajar você e quem estiver ao seu redor a ser um doador de sangue. Confira:

Ministério da Saúde – 2017

Ministério da Saúde – 2018

Ministério da Saúde – 2018

Johnson & Johnson – 2014

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