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Dia do Folclore Nacional: Conheça o TCC sobre lendas regionais

O grupo formado pelas estudantes Andreza Dutra, Luna Mota e Sabrina Lobo produziu um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre as lendas amazônicas mais populares: Uirapuru, Boto, Iara, Curupira e Muiraquitã. As estudantes queriam um nome forte e impactante, que representasse a mulher e sua força, e, ainda, tivesse relação com a região em que vivemos. Intitulado “Guerreiras Amazônicas”, o projeto tinha o objetivo de dar mais visibilidade e exaltar a cultura de nossa região. 

Segundo elas, desde o início tiveram em mente que o projeto seria relacionado a Amazônia e, em meio a tantas ideias, decidiram unir a maquiagem, um hobby compartilhado entre as três amigas, às lendas amazônicas.

Para a produção da parte prática do projeto, elas convidaram a maquiadora profissional Savana Martins, especialista em maquiagem artística, os fotógrafos Michel Paz e Yraq Lima, e as modelos Marjorie Honda, Carol Amaral, Everlin Fernandes, Amanda Wayka e Sabrina Lobo.

Segundo Savana, o grupo entrou em contato via Instagram, ela logo se interessou pelo trabalho e o processo de criação das maquiagens foi feito em parceria com o trio, que lhe deu liberdade criativa.

Para cada lenda amazônica foi desenvolvido um contexto diferente, de acordo com o habitat de cada personagem. A intenção era que cada lenda fosse representada por uma mulher.

Uirapuru

(Yraq Lima)

De acordo com a lenda, o pássaro uirapuru foi um jovem índio guerreiro chamado Quaraçá, pertencente a uma nação indígena da Floresta Amazônica.

Quaraçá era apaixonado pela índia Anahí, que era casada com o cacique da tribo. Sofrendo pelo amor impossível que nutria, o jovem resolveu entrar na floresta para pedir ajuda ao deus Tupã. Entendendo o sofrimento do rapaz, Tupã resolveu transformá-lo num pássaro colorido para, assim, livrá-lo de todo sofrimento. 

Quaraçá, que ganhou o nome de Uirapuru, voava pela floresta com seu forte e lindo canto. Toda vez que via Anahí, pousava e cantava para a jovem índia, que ficava maravilhada com o som daquele pequeno e lindo pássaro.

O cacique da tribo logo ficou encantado com o canto do pássaro e, com o objetivo de aprisioná-lo, se perdeu na floresta e nunca mais voltou. Sozinha, restava a índia ouvir o canto de seu pássaro favorito. E ao jovem índio, agora transformado em pássaro, restava que sua amada descobrisse quem ele era para desfazer o encanto.

Boto

(Michel Paz)

De acordo com a lenda, o boto cor-de-rosa saia nos rios durante as primeiras horas das noites de festa e, com um poder especial, transformava-se em um jovem vestido com roupas brancas e que usava um chapéu branco para encobrir o rosto.

Nas festas, comportava-se como um rapaz normal e aproximava-se de jovens solteiras, seduzindo-as. Logo após, convencia as mulheres a fazerem um passeio ao fundo do rio, onde as engravidava. Na manhã seguinte, voltava a se transformar no boto.

Iara

(Michel Paz)

Com longos cabelos pretos e olhos castanhos, Iara é uma sereia que vive nas águas amazônicas e emite uma melodia que atrai os homens, que ficam rendidos e hipnotizados com seu canto e voz doce.

Reza a lenda que Iara é dona de uma beleza sem igual e seus irmãos, com inveja, resolveram matá-la. Porém, a jovem conseguiu reverter a situação e assassinou seus irmãos. Com medo da punição de seu pai, o pajé da tribo, Iara fugiu, mas mesmo assim foi encontrada. Como castigo pela morte de seus irmãos, ele resolveu lançá-la ao rio.

Os peixes, então, resolveram resgatá-la, transformando-a numa sereia. Desde então, Iara habita os rios amazônicos, conquistando homens e levando-os ao fundo do rio, onde morrem afogados.

Acredita-se que aqueles que conseguem escapar de Iara ficam loucos e somente um pajé pode salvá-los.

Curupira

(Yraq Lima)

O Curupira é um anão, com os pés virados para trás, cabelos de fogo e olhos arregalados, que mora na Floresta Amazônica. Considerado o protetor das florestas, reza a lenda que ele defende a floresta de homens que fazem mal a fauna e a flora, fazendo com que eles se percam nas florestas, não conseguindo mais sair.

Muiraquitã

(Michel Paz)

A lenda afirma que o muiraquitã era oferecido como presente pelas índias guerreiras icamiabas aos homens que visitavam anualmente a sua taba, na região do rio Nhamundá.

Uma vez por ano, durante a festa dedicada à lua, as icamiabas recebiam os guerreiros guacaris, com os quais se acasalavam como se fossem seus maridos. À meia-noite, elas mergulhavam nos rios e traziam às mãos um barro verde, ao qual davam formas variadas: de sapo, tartaruga e outros animais, e presenteavam seus amados.

Retirado ainda mole do fundo do rio e moldado pelas mulheres, o barro endurecia. Os objetos eram, então, colocados nas tranças das noivas e usados como amuleto pelos guerreiros. Até hoje, o muiraquitã é considerado um objeto sagrado e acredita-se que traz felicidade, sorte e cura a quase todas as doenças a quem o possui.

Os ensaios fotográficos foram realizados em diferentes pontos da cidade de Manaus, mas que tinham a natureza em comum: Parque do Mindu, Museu da Amazônia (MUSA), Praia do Açutuba e Atelier Cláudio Andrade.

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