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Como Comunicar a Amazônia?

Quando falamos sobre Amazônia, em raros casos surge a dúvida sobre “Qual Amazônia estamos tratando?”: se é a “Amazônia bioma” ou “Amazônia região”. Essa dúvida ilustra um ponto importante deste texto, mas de antemão, é necessário destacar que a Amazônia está longe de ser um local bilateral ou homogêneo, ela é sobretudo diversa e precisamos ter em mente essa premissa. 

Habitar nesse espaço como diz Walter Gonçalves “é um desafio à inteligência”. Nesse sentido, a convivência com a diversidade tanto de recursos naturais, ambientais, realidades, como de saberes originados de diferentes culturas nos proporciona o acesso a um acervo de conhecimentos desafiadores para as populações que convivem com esses diferentes ecossistemas. 

Amazônia ou Amazônias?

Por décadas, a imagem que se consolidou sobre Amazônia tanto nos meios de comunicação quanto na literatura, história, arte e ciência, é aquela que lhe reduz a uma grande extensão de natureza selvagem, primitiva e atrasada, considerada a promessa do futuro diante de uma calamidade ambiental. Nesse emaranhado de representações, que limita a Amazônia a um fator estritamente natural e apaga a Região Norte, nasce a inquietação de nortistas.

São tantas Amazônias, que em só em um trecho é possível observar diferentes realidades e muitas delas se contrastam o tempo todo, seja pelos variedades de animais que não se repetem em uma dada porção de terra, ou pelos trechos de várzea e terra firme, de terrenos movimentados e serra, de planícies litorâneas e manguezais e de floresta em pé, como também desmatada, existe também a porção onde o pib é maior. 

É comum que ao longo da história a Região Norte esteja associada à floresta amazônica, afinal, ela abriga uma parcela expressiva desse bioma, o problema surge quando a ideia que é repercutida sobre ela, mistura toda a diversidade desse território em uma massa homogênea que invisibiliza outros aspectos muito importantes. 

Falar da Amazônia sem falar da Região Norte?

A mistura de sentidos e representações do discurso que foi construído sobre a Amazônia é responsável pelo apagamento da Região Norte, e quando falamos de região, não estamos falando apenas de um território, mas também de toda uma construção política, cultural, social e econômica de um povo dentro de um espaço. 

Por isso, nessa ideia de reduzir tudo a natureza, além de fortalecer a lógica colonial de que tudo que se remete a natureza é atrasado, contrário à civilização, ao moderno e cultural, todos os aspectos da Região Norte que foram desenvolvidos nesse sentido são anulados, favorecendo assim, a invisibilidade de nossa cultura, arte, urbanidade, povo, como também a difusão de ideias equivocadas sobre a região. 

Coisas que nortistas estão cansados de ouvir

Todo nortista já deve ter ouvido pelo menos 1x na vida piadas referentes ao seu lugar de origem, frases como: “Muito longe, você demorou quantos dias para chegar?; “Vocês andam com arco e flecha na rua?”; “Nordeste e Norte são a mesma coisa, né?”; “Tem muito bicho pela cidade?”;“Esse sotaque aí é de carioca?”; “Tu ia pra escola de canoa?”. 

Essas e muitas outras ideias ilustram bem o desconhecimento e o imaginário que as pessoas desenvolveram acerca dos estados que compõem o norte do país. Além disso, em escalas maiores, essas ideias também influenciam a dificuldade de nosso acesso a todo o tipo de esfera social, cultural e política de uma instância nacional. O norte é tratado como periferia, até mesmo por aqueles que dividem o território do Brasil conosco. 

É preciso mudar!

Nesse momento entram em cena os profissionais da comunicação nortistas, que precisam recriar narrativas, apresentar novas perspectivas para esse imaginário tão distorcido do que seja nossa região. 

Existem muitas Amazônias dentro da Amazônia que nós, nortistas, conhecemos e que pessoas de fora não conseguem vislumbrar. A riqueza diversa não está presente apenas na floresta, está na nossa arquitetura, urbanidade, cultura e precisamos trazer isso à tona.

Comunicar a Região Norte com responsabilidade, partindo premissa de sua diversidade é um passo muito importante para essa mudança, mas para isso é preciso entender nossa pluralidade, ter orgulho de ser nortista, traduzir isso em trabalhos e incentivar. Nós precisamos nos articular em relação a isso e nos movimentar em prol de nossa região. 

Afinal, tudo que eles querem de nós é justamente tudo que nos constitui: nossas riquezas, que são diversas. Parafraseando Victor Xamã, um artista nortista, eles buscam o norte a vida toda, e ao contrário deles, nós já temos. 

 

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