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Como a pandemia influenciou os ciclos menstruais?

Recentemente, acompanhei pelo Twitter um debate sobre como a pandemia do coronavírus impactou o ciclo menstrual. Em sua grande maioria, as pessoas que responderam ao questionamento de uma internauta afirmavam estarem ou terem, em algum momento, sua menstruação desregulada desde que a pandemia se iniciou, no fim de 2019. 

Há pouco mais de um ano, nossas rotinas e vidas foram alteradas. Diante de medo e incerteza sobre a saúde, necessidade de tomar decisões pessoais, mudanças abruptas acontecendo e instabilidade financeira, sentimentos como estresse e ansiedade foram aflorados como nunca antes. Viver durante a pandemia é e tem sido estressante para qualquer pessoa, mas os relatos de pessoas com ciclos menstruais atrasados, adiantados e desregulados tornaram-se cada vez mais comuns. 

Em média, um ciclo menstrual dura 28 dias, mas também são considerados normais ciclos com duração de 21 até 35 dias. Como sabemos, uma série de fatores podem interferir na menstruação. Além de gravidez, de acordo com especialistas, desnutrição, estresse e a ansiedade são os principais causadores de alterações no ciclo, conforme explica a ginecologista Édily Tourinho, em entrevista ao Mercadizar.

“Muitos são os fatores que podem alterar o ciclo menstrual: desde fatores nutricionais, então pessoas desnutridas podem ficar sem menstruar por um longo período, até mulheres obesas pelo excesso de estrogênio na corrente sanguínea. Os fatores emocionais, lembrando que as nossas emoções mandam sinais para o nosso sistema límbico, responsável pela regulação do ciclo menstrual, também podem interferir. Em situações de estresse e emoções fortes, a pessoa pode menstruar antes ou depois da hora”. 

De acordo com a literatura médica, o estresse provoca alterações na região do cérebro (o eixo hipotálamo-hipófise) responsável pelo controle dos hormônios que regulam os ciclos menstruais, entre eles o folículo estimulante (FSH), que influencia a ovulação.

Em entrevista ao blog da Pantys, empresa de absorventes e coletores menstruais, a ginecologista Fernanda Gonçalves explicou que, dependendo da intensidade e do nível de estresse, a ovulação de uma pessoa que menstrua pode atrasar ou até mesmo não acontecer.

“O GNRH (hormônio liberador de gonadotrofina) estimula FSH e LH e por isso também tem influência sobre a sua ovulação e, consequentemente, dobra o seu ciclo. Mulheres com alto nível de estresse podem ter níveis de cortisol muito altos, o que inibe a liberação de GNRH”, afirma.

Pensando nisso, pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) conduziram um estudo para analisar este impacto da pandemia na saúde mental e no ciclo menstrual de mulheres em idade reprodutiva. A pesquisa, que entrevistou quase mil pessoas de todas as regiões do Brasil, apontou que a maioria delas relatou surgimento de novos sintomas relacionados à saúde mental (97%) e/ou alterações em seus ciclos menstruais (77%) – antes da pandemia eram considerados normais. 

As pessoas entrevistadas também mencionaram modificações como: alteração no número de dias do ciclo menstrual, número de dias de menstruação, fluxo menstrual, coloração e odor da menstruação, além de apresentarem escapes menstruais e alterações nos sintomas do período de Tensão Pré-Menstrual (TPM) e na libido (na maioria delas, diminuição). 

Para Bruno Del Bianco Borges, coordenador da pesquisa e coordenador-adjunto do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, esses dados são preocupantes, se considerados os aspectos reprodutivos da mulher. “Os efeitos da pandemia sobre a saúde mental, ciclo menstrual e libido sugerem um possível efeito negativo sobre a função reprodutiva da mulher, o que pode interferir na fertilidade, mesmo que em caráter momentâneo. Estudos demonstram que pandemias e epidemias anteriores causaram efeitos adversos sobre o organismo feminino por até dois anos após a crise sanitária. A avaliação mais profunda dos nossos resultados depende de outras investigações, já que várias perguntas surgem a partir desses dados. Estaria havendo um real impacto sobre a fertilidade das mulheres neste momento? É preciso seguir com novos estudos”, explica.

Em entrevista ao Mercadizar, a jornalista Nayá Costa, 20, contou que, em janeiro deste ano, quando Manaus passou por uma crise sanitária e de saúde, sua menstruação ficou atrasada por cerca de dois meses. Para ela, o principal motivo foi o estresse, o medo e a ansiedade causados pelo caos instalado na cidade. “No início do ano, quando as coisas pioraram por aqui, eu fiquei uns dois meses sem menstruar. Depois, ela desceu naturalmente. Desde o ano passado os meus ciclos estão bem mais irregulares que o normal”.

Toda pessoa que menstrua, em algum momento da vida, viveu na pele o atraso do ciclo menstrual. Nestes momentos, o autoconhecimento é fundamental. Para que a menstruação volte ao normal, recomenda-se identificar os fatores que estão causando estresse, tentar eliminá-los e, na maioria das vezes, esperar que ela desça por conta própria. 

Vale ressaltar que, ao primeiro sinal de qualquer mudança, é necessário procurar o médico ginecologista. Além disso, manter o acompanhamento ginecológico e os exames preventivos em dia também são de extrema importância!

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