Ariel Bentes; 19/08/2020 às 17:18

As novas alternativas fotográficas que surgiram em meio à quarentena

Os fotógrafos Laryssa Gaynett, Nícolas Ribas e Tadeu Júnior contaram as suas experiências

Em muitos casos a fotografia depende do presencial, de pessoas ou de eventos, mas com a quarentena decretada em março no Brasil surgiu o questionamento: “Como se adaptar a este momento de isolamento social?”. Pensar e criar nos limites do home office, reconfigurar espaços e buscar um outro olhar para a fotografia, foram e ainda são alguns dos desafios enfrentados para diversos fotógrafos neste período, como é o caso de Laryssa Gaynett. 

Em entrevista ao Portal Mercadizar, Laryssa contou que teve ensaios cancelados e adiados e logo percebeu que não poderia voltar a fotografar de forma convencional. Ao ver outros profissionais pelo país fazendo fotos através de videochamadas, ela viu ali uma oportunidade de trabalho. 

“Eu resolvi testar e ver se iria me adaptar. A reação das pessoas a proposta também foi muito positiva, ficavam empolgadas com a ideia. Acho que também teve um pouco de necessidade delas terem esse momento registrado, e a fotografia a distância acabou sendo uma alternativa muito válida para isso”, disse Laryssa. 

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@juliabporto, ~de casa~ via facetime.

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Através do aplicativo FaceTime, Laryssa fotografou cerca de cinco pessoas neste formato. Segundo ela, o processo de produção de fotografias feitas a distância exige muita comunicação entre o profissional e quem está sendo fotografado. Além disso, é necessário que o fotógrafo tenha noção dos espaços da casa e roupas disponíveis para as fotos. 

“Esse processo é de muita conversa pelo Whatsapp para alinhar o que estamos pensando, mas muita coisa também ocorre na hora das fotos.  Às vezes, conforme a pessoa vai se movimentando, eu vou tendo ideias e vamos construindo juntos. Por isso, acredito que o maior desafio desse tipo de ensaio é eu me fazer ser entendida. Preciso ser muito clara em explicar onde ela vai deixar o celular e como ela pode se movimentar. Um outro desafio é a qualidade das fotografias, pois elas são prints da tela e a qualidade fica um pouco prejudicada”, explicou Laryssa. 

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Algumas semanas atrás fiz esse vídeo e postei apenas no story, agora decidi postar aqui junto de um textão, então lá vai… Primeiro vou compartilhar uma passagem que achei interessante sobre o significado das janelas: "…uma janela aberta é um convite à expansão da consciência, uma possibilidade de descobrir o novo, de deixar que a criatividade desabroche. É uma oportunidade que a vida oferece, um símbolo de libertação ou de evasão, embora também permita a entrada de novas ideias ou experiências." Janelas sempre me fascinaram! Não é atoa que hj meu trabalho é olhar através de uma (a câmera fotográfica). Gosto de olhar o mundo lá fora e me imaginar indo além do que vejo. E isso vale também para as telas dos computadores, celulares, televisões. Não deixam de ser janelas, certo? Quando vejo as notícias através dessas "janelas", percebo que o mundo não acabou, ele continua vivo, e mais ainda do que antes. Em plena pandemia, onde não podemos sair, manifestantes vão à rua gritar por democracia, igualdade, justiça; pessoas saem de suas casas, até deixam seus estados para cuidar de quem precisa; outros se arriscam para fazer com que suas compras cheguem ao seu destino. Então, novamente, o mundo não acabou só está diferente do que conhecíamos. Janelas foram abertas e é o novo normal, onde muitos estão expandindo suas consciências, se libertando e lutando pelo que é certo. Ps: Caraca! Foi mal pelo textão mas se vc chegou até o final, valeu pela atenção aí

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Quem também foi em busca de novas alternativas, foram os fotógrafos Nícolas Ribas e Tadeu Júnior. Apaixonado por fotografia de natureza, Nícolas decidiu explorar novas áreas no início do ano e passou a cobrir aniversários, carnaval e outras festas pela cidade de Manaus, mas com a pandemia e o comércio fechado a sua janela e o condomínio onde mora passaram a ser o centro de suas fotos. 

“Eu não queria ficar parado. Precisava continuar praticando e decidi continuar fotografando no condomínio que eu moro. Apesar de ser um condomínio com uma ótima localização, por muito tempo ele foi mal administrado e não tinha investimento. Então era isso, eu queria ver beleza a minha volta, ver os detalhes e fazer fotografia macro, que é uma coisa que eu também gosto”, afirmou Nícolas. 

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Dourada de pólen

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Compartilhando as suas fotos no Instagram, o fotógrafo contou que sempre foi fascinado por observar as pessoas e o tempo à sua volta e que viu na janela de casa uma oportunidade de registar esse momento. “Como eu estava vendo o mundo somente da janela, eu decidi registrar o tempo passando através dela. Eu não podia sair e queria focar nisso. Foi um momento para eu também me aventurar na edição de vídeos e fiz esse registro em dias diferentes”, disse. 

Já Tadeu conta que encarou a quarentena e a fotografia como um desafio. Para ele, praticar e exercer a criatividade dentro do seu apartamento foi uma maneira de se ocupar e olhar a fotografia de outra forma. 

“Em abril eu tive que ser internado pois fui infectado pelo coronavírus. Minha vida teve uma virada de chave aí, mas até antes disso, quando a gente percebe que estamos trancados dentro de um apartamento, a gente começa a pirar um pouco e para isso não acontecer tu tem que se desafiar. A partir do momento que você está trancado e sem saber quando vai sair, tudo começa a virar desafio. Eu comecei olhar dentro dos cômodos, dentro do quarto, do banheiro e sempre pensando: ‘o que eu posso fotografar diferente?’”, disse Tadeu.

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Deixe aqui a letra de uma música:

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A partir disso, Tadeu comentou que para ele esse também foi o momento para refletir o que precisava melhorar e até onde iria as suas limitações com a fotografia, além de agora enxergar o home office como uma possibilidade no pós-pandemia. “É preciso entender também essas limitações se não a gente acaba se cobrando muito ou se sabotando. Também me abriu os olhos para eu trabalhar mais de casa, receber os produtos que eu fotografo aqui e não ter que ir mais tanto aos clientes…é uma alternativa”, explicou.

Com o comércio retornando aos poucos, fotografar presencialmente com os devidos  protocolos de segurança também vem se tornando uma realidade. Ao mercadizar, Laryssa disse que ainda não abriu a sua agenda para novos ensaios mas que já está realizando fotos para lojas e marcas. Além dela, Nícolas também voltou a fazer externas. “Esse ano eu quis explorar mais áreas da fotografia e surgiu a oportunidade de trabalhar na We.labb fazendo fotos de produtos e alimentos. Eles estavam precisando um fotógrafo na empresa e me chamaram. Também voltei a fazer alguns eventos com público reduzido”, contou Nícolas. 

Para acompanhar o trabalho desses profissionais, acesse os seus perfis abaixo:

Laryssa Gaynett: @justlay

Nícolas Ribas: @nicolasribas

Tadeu Júnior:  @eu.tadeu

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