A primeira etapa do projeto “Coexistência entre população humana e mamíferos aquáticos em duas reservas de desenvolvimento sustentável na Amazônia Ocidental brasileira”, realizada entre 2023 e 2026, buscou compreender a relação entre comunidades ribeirinhas e mamíferos aquáticos nas reservas Mamirauá e Amanã. O diagnóstico foi realizado em 65 comunidades e permitiu identificar conflitos, práticas de convivência e necessidades de ações sustentáveis.

FOTOS: Marcelo Ismar Santana e Carolina Oliveira
A iniciativa é conduzida pela Fundação de Mamíferos Aquáticos (FMA) em parceria com o Instituto Mamirauá e tem como objetivo promover práticas que garantam a continuidade das atividades humanas, como a pesca, sem comprometer a preservação de espécies como botos tucuxi e vermelho, peixes-boi, ariranhas e lontras. “Identificamos os principais pontos de tensão e começamos a buscar soluções para garantir que as atividades humanas continuem acontecendo com sustentabilidade”, explicou o pesquisador João Borges.
Projeto na prática
Em fevereiro de 2026, os pesquisadores se reuniram na sede do Instituto Mamirauá para elaborar um plano estratégico voltado à próxima etapa do projeto, com foco em ações de longo prazo e participação das comunidades locais. A proposta é reduzir os impactos negativos das interações entre humanos e mamíferos aquáticos por meio de boas práticas, como monitoramento de malhadeiras e proteção de áreas sensíveis.
Segundo a pesquisadora Míriam Marmontel, a participação das comunidades amazônicas é fundamental para o sucesso da iniciativa. “As boas práticas são essenciais para a coexistência em áreas e recursos compartilhados e podem fazer diferença para o equilíbrio ecológico”, destacou.

FOTOS: Marcelo Ismar Santana e Carolina Oliveira
Seca histórica intensifica monitoramento
As secas extremas registradas na Amazônia em 2023 e 2024 aumentaram a vulnerabilidade dos mamíferos aquáticos e reforçaram a importância do projeto. O Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá atuou no monitoramento da mortalidade das espécies e manteve uma rede de contato com comunidades ribeirinhas e moradores do Lago Tefé para alertar sobre ocorrências.
A cooperação com organizações locais e instituições de pesquisa foi ampliada para fortalecer o monitoramento e estudar os impactos das mudanças climáticas sobre as espécies.

FOTOS: Marcelo Ismar Santana e Carolina Oliveira
Realizadores
O projeto é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e realizado pela Fundação de Mamíferos Aquáticos (FMA) em parceria com o Instituto Mamirauá e o Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos, com vínculo de pesquisa com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB).