Filmes, séries e TV

Curta sobre apagamento da escravidão marca estreia de Viviane Rodrigues no Amazônia FIDOC

Filmado em Portugal, o curta ‘Não São Águas Passadas’ discute o silenciamento histórico sobre o papel do país no tráfico de pessoas escravizadas

A cineasta paraense Viviane Rodrigues estreia, no dia 1º de maio, no Amazônica FIDOC, o curta-metragem “Não São Águas Passadas”, que aborda reflexões sobre o apagamento histórico da escravidão a partir de registros feitos em Portugal.

Imagem: Divulgação/Pedro Barros

Produzido pela BR153 Filmes e filmado em Portugal, o curta é dirigido, roteirizado e montado por Viviane Rodrigues, em parceria com o produtor Brunno Constante. 

A obra já passou por festivais e espaços culturais no Brasil e no exterior, além de ter circulação em instituições acadêmicas. 

Sobre ‘Não São Águas Passadas’

No filme, a obra percorre espaços urbanos e históricos de Portugal ligados à presença africana, destacando construções e territórios marcados pelo trabalho de pessoas escravizadas, enquanto evidencia a ausência de referências históricas também nas cidades.  

Ao abordar esse apagamento, a obra questiona sobre essa ausência de reconhecimento oficial sobre o papel de Portugal no tráfico de pessoas escravizadas.

O curta destaca como esse silenciamento histórico ainda reverbera em questões como racismo, xenofobia e desigualdades sociais. 

Segundo a diretora, Viviane Rodrigues, o tema ainda é tratado como tabu. 

“Sempre fiquei impressionada com o fato de Portugal não assumir a triste responsabilidade que teve durante o que eles chamam de expansões marítimas — e nós, brasileiros, sabemos que se trata de colonização. O comércio de pessoas escravizadas é tratado como tabu, como se fosse apenas um ‘efeito colateral’ dessa expansão. Nem a sociedade nem os manuais escolares reconhecem essa tragédia histórica”, explicou Viviane.

Imagem: Divulgação/ Raoni Beltrão

Participações e trilha sonora

O filme é narrado por Naky Gaglo, que atua na valorização da presença africana em Lisboa. A produção também tem participação da artista brasileira Bia Ferreira. 

A trilha sonora inclui a participação da banda Metá Metá, grupo da cena independente que mistura referências africanas e brasileiras.

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