No dia 2 de agosto (domingo), das 9h às 13h, o Instituto Letras que Flutuam promove evento gratuito que reúne oficinas, visitação ao acervo e exposição de peças produzidas e a comercialização de peças, com o intuito de fazer o público conhecer de perto a arte dos abridores de letras. O evento acontece no Canto do Letras, bairro do Reduto, e têm vagas limitadas, as inscrições podem ser realizadas através do formulário online.

Foto: Divulgação/Assessoria
O ofício surgiu a partir da obrigatoriedade da identificação das embarcações e ao longo dos anos os artistas desenvolveram uma linguagem visual própria, caracterizada por letras ornamentadas, cores vibrantes e traços criados, em sua maioria, por mestres autodidatas. Em 2026, a prática recebeu o reconhecimento oficial como Patrimônio Cultural Imaterial do Pará.
Aqueles que participarem das oficinas poderão aprender diretamente com os mestres algumas das técnicas e ornamentos utilizados na identificação das embarcações amazônicas. O principal objetivo da iniciativa é aproximar o público de uma tradição que reúne identidade, memória e modos de vida ribeirinhos, além de enaltecer e transmitir esse conhecimento entre gerações, como explica a pesquisadora e diretora do Instituto Letras que Flutuam, Fernanda Martins.
“A letra ribeirinha é tão estruturante para a Amazônia quanto a música, a dança ou a comida. Ela expressa território, memória e identidade. Quando os estudantes aprendem esse alfabeto, eles aprendem também a olhar para a Amazônia a partir de seus próprios códigos visuais”, afirmou Martins.
Além das oficinas, o público poderá conhecer e comprar placas pintadas à mão, letras em miriti, livros, camisetas, ecobags e outros produtos que são desenvolvidos em parceria com os abridores de letras. As peças comercializadas são inspiradas nas cores e na tipografia das embarcações, além de levar a tradição ribeirinha a objetos do dia a dia e gerar renda para esses artistas.
O Instituto Letras que Flutuam é o primeiro do Brasil dedicado exclusivamente à cultura e legado dos abridores de letras. A iniciativa já conseguiu identificar mais de 130 artistas no Pará e realiza ações de documentação, formação, proteção jurídica, geração de renda e valorização desse patrimônio há mais de 20 anos.
Para Martins, o reconhecimento da prática como Patrimônio Cultural Imaterial do Parpa representa uma conquista importante, mas ressalta que para que a prática continue viva, é necessário que haja a criação de oportunidades de formação, para que os mestres transmitam seus conhecimentos.
Programação:
9h: abertura do espaço, visita ao acervo e venda de produtos;
10h: primeira oficina de abertura de letras;
11h30: segunda oficina de abertura de letras;
13h: encerramento.
Serviço
Data: 2 de agosto de 2026, domingo
Horário: das 9h às 13h
Local: Canto do Letras, Travessa Rui Barbosa, 257, sala 3, Reduto, Belém
Inscrições: formulário online
Mais informações: Instagram do Instituto Letras que Flutuam