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#MercadizarIndica: documentário ‘Quem matou Eloá?’

No dia 13 de outubro de 2008, em São Paulo, as adolescentes Eloá e Nayara foram mantidas em um cárcere privado que durou cerca de 100 horas. Lindemberg, ex-namorado de Eloá, não aceitava o fim do relacionamento e invadiu o apartamento dela, no qual ela e a amiga se encontraram para fazer um trabalho de escola. Após 4 dias, Lindemberg assassinou Eloá, que tinha 15 anos na época, com dois tiros durante a entrada da polícia militar no local. Nayara também foi atingida com um disparo, mas sobreviveu. 

Foto: Divulgação

O caso foi acompanhado de perto pela imprensa nacional e cada novo passo de Lindemberg e da polícia foi televisionado, fazendo com que a imprensa tenha tido um papel determinante no desfecho do cárcere. Com direção e roteiro de Lívia Perez  e lançado em 2015, o documentário “Quem matou Eloá?” intercala trechos da cobertura jornalística, de diferentes emissoras, com comentários de especialistas e pessoas que tiveram relação com o caso na época, sendo eles: Ana Paula Lewin, Defensora Pública do Estado de São Paulo; Analba Teixeira, militante feminista e integrante da Articulação Mulheres Brasileiras; Augusto Rossini, promotor de justiça; Elisa Gargiulo, militante feminista, e Esther Hamburger, professora associada da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade do Estado de São Paulo. 

O documentário se coloca em uma posição de crítico da cobertura jornalística e faz análises das narrativas emitidas na época.  ”Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”, segundo os especialistas, foi uma das mensagens proferidas nas entrelinhas pela imprensa e que foi comprada pela sociedade. Para eles, a imprensa deu espaço para discursos como esse, onde a vítima é culpabilizada pelo acontecido. Os repórteres tinham falas como ”Ele é um menino bom e trabalhador e que se desesperou em um problema de relacionamento”, fazendo referência ao Lindemberg. 

Um trecho do programa A Tarde é Sua, mostrado no documentário, deixa isso bem explícito. Sônia Abrão, apresentadora do programa que mantinha contato com Lindemberg ao vivo, conversa com um advogado e pergunta como ele acha que o caso vai se encerrar e o mesmo diz: “Eu espero que isso termine em pizza, em um casamento futuro entre ele e a namorada apaixonada dele. Ele tá passando por uma fase momentânea, ele tem motivação de viver. Um rapaz jovem, quando se apaixona, muitas vezes ele se desequilibra, mas isso vai terminar realmente em final feliz, graças a Deus, tenho plena certeza e convicção disso”. Assim, amenizando o que Eloá e Nayara estavam passando naquele momento. 

Os especialistas também apontam que há todo momento Eloá era colocada em segundo plano nas reportagens, onde somente era colocado em pauta quem era Lindemberg e qual seria o seu futuro. Além disso, também é possível observar que a narrativa do caso pode ter sido transformada em algo que se assemelhava a um filme. As cenas do sequestro foram editadas como uma cena de um filme de ação e o telespectador acompanhou o caso diariamente como se fosse uma novela. 

De acordo com os relatos do documentário, a imprensa ultrapassou os limites nesta cobertura e não colocou o direito à vida das vítimas como prioridade, atrapalhando as investigações e colocando em dúvida a sua ética. Com duração de quase 25 minutos, “Quem matou Eloá?” está disponível no YouTube. 

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