Patrícia Patrocínio; 23/03/2021 às 15:00

#MercadizarIndica: “Afronta!” a série que ataca de frente o racismo

Um dos principais objetivos da série é conectar a diáspora africana onde quer que ela esteja

“Assim como eu arco com o ônus de ter uma origem escravizada e por isso tenho que negociar no mundo de algumas formas, a branquitude precisa arcar com o ônus de ter uma herança escravagista”. – Erica Malunguinho

A série documental dirigida e escrita por Juliana Vicente, criadora da Petra Portê Filmes, transmite não só a diversidade de histórias reais de luta, resistência, conquistas e representatividade, como também apresenta a importância da presença preta em diferentes lugares da sociedade. Com 26 episódios gravados em diferentes regiões brasileiras e até fora do país. “Afronta!” conta com um pesado elenco de convidados entre produtores culturais, músicos, atores, compositores, grafiteiros, cineastas, rappers e personalidades pretas de diferentes áreas de atuação.

Já adianto que participam da série: Érica Malunguinho, a primeira mulher transexual eleita deputada estadual da Assembleia Legislativa de São Paulo. A influenciadora digital Magá Moura; as cantoras Liniker e Xênia França; as rappers Tasha e Tracie; o rapper Rincon Sapiência; as empreendedoras Loo Nascimento e Daniele DaMata, entre outros 17 entrevistados. 

“Afronta!’’ consegue abordar discussões complexas como racismo estrutural de forma simples, a partir da perspectiva de cada um dos personagens. Além disso, todos os episódios trazem reflexões, críticas à estrutura e apontam questionamentos fundamentais para alcançar as reflexões e fazer críticas, como: “Quantos pretos estão aí na faculdade, na sua sala, estudando com você?”; “Qual é o personagem que foi construído para o negro no Brasil?.”

Vale destacar, que um dos principais objetivos da série é conectar a diáspora africana onde quer que ela esteja. Desse jeito, a série é uma oportunidade para que pessoas negras construam cada vez uma rede de diálogo e resistência. Por outro lado, é muito importante que pessoas brancas também consumam produções como essa, é uma boa forma de entender que “branquitude” é um sistema e não o indivíduo em si, mesmo que por vezes essas duas coisas se misturem. Então, corre logo para ver “Afronta!” na Netflix. O mais legal é que os episódios são independentes, então você pode assistir de acordo com sua personalidade favorita e seguindo a ordem que você achar melhor. 

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