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Matapi 2025 tece pontes entre arte e natureza e faz da Amazônia o coração do audiovisual pan-amazônico

Antes que uma câmera acenda, a Amazônia já está contando histórias. Histórias de luta, de pertencimento e de futuro. É nesse compasso que surge a 8° edição do Matapi – Mercado Audiovisual das Amazônias — não como um simples evento, mas como uma convocação. Um chamado para pensar o audiovisual como força política e poética, capaz de atravessar fronteiras e reimaginar o mundo a partir do coração da floresta.

Matapi
Arte: Mercadizar

De 16 a 19 de outubro, Alter do Chão se transforma em um espaço de trocas, ideias e imagens. O Matapi 2025, realizado pela Leão do Norte Produções Audiovisuais e pela Casa Ninja Amazônia, chega à sua oitava edição com um propósito ainda mais profundo: refletir sobre o audiovisual como ferramenta de resistência, pertencimento e reconstrução das narrativas amazônicas.

Cinema e floresta: o poder de contar histórias

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Karla Martins, coordenadora do evento – Crédito: Aline Fidelix

Em meio ao calor úmido da floresta, a coordenadora do Matapi, Karla Martins, fala com a firmeza de quem acredita na força das narrativas.

“A urgência das emergências climáticas exige uma resposta direta. O poder das narrativas do cinema é essencial nesse enfrentamento, pois são capazes de tecer novas relações das pessoas com o mundo”, diz ela.

Para Karla, o Matapi é mais do que um evento cultural — é uma travessia. Um espaço onde o audiovisual se reinventa a partir das vivências locais, tornando-se parte ativa da luta por reconhecimento e sustentabilidade.

“O audiovisual das Amazônias não é apenas uma forma de expressão artística. É um território vivo de escuta, de construção coletiva e de resistência cultural”, completa.

Pontes entre territórios

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Carlos Barbosa (esquerdo), coordenador do Matapi – Crédito: Aline Fidelix

No Centro Experimental Floresta Ativa (CEFA), do Projeto Saúde e Alegria, localizado na região da Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns, em Santarém, Pará, o Matapi ergue suas bases.

O local, rodeado pela mata e banhado pelo Rio Tapajós, será o cenário das atividades formativas, trocas e encontros que reúnem artistas, comunicadores e produtores de toda a Pan-Amazônia.

Para Carlos Barbosa, também coordenador do evento, o Matapi é uma celebração da diversidade que compõe o audiovisual amazônico.

“Estaremos em um dos maiores paraísos do Brasil, o que será inspirador e um grande momento para renovar energias e seguir construindo pontes”, afirma.

Essas pontes, para ele, não são apenas metáforas. São conexões reais que unem regiões, linguagens e perspectivas, fortalecendo uma rede que há anos desafia o isolamento e as desigualdades do território amazônico.

Uma rede viva de criação

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Rodrigo Antônio, coordenador de metodologia do Matapi – Crédito: Juliana Pesqueira

Entre as atividades, o coordenador de metodologia Rodrigo Antonio destaca que o Matapi é construído como uma rede em movimento, pensada para gerar impacto coletivo.

“Vamos refletir sobre as diferentes formas de pensar e produzir audiovisual na região, criando redes de cooperação entre organizações que trabalham com produção, difusão e circulação”, explica.

A proposta vai além do debate: durante o encontro, será elaborado um mapa de expertises e um plano de ações colaborativas, que pretendem ecoar nas políticas culturais da Amazônia e nas discussões sobre o clima, mirando a COP-30, que será realizada em Belém, no próximo ano.

“Queremos apresentar soluções e formulações inovadoras para atualizar a narrativa climática sob a perspectiva da cultura. É um exercício de imaginação e compromisso com o território”, reforça Rodrigo.

O Matapi 2025 nasce, mais uma vez, do desejo de ouvir. Ouvir a floresta, os povos, as águas e as novas vozes que transformam o cinema em ferramenta de pertencimento.

Entre rios e câmeras, o evento reafirma o que a Amazônia sempre soube: contar histórias é também uma forma de existir.

E quando o sol se põe sobre o Tapajós, o som das conversas se mistura ao das cigarras — como se o próprio território dissesse, em silêncio, que o cinema amazônico continua pulsando, vivo, urgente e necessário.

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