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Livro reúne novas interpretações de canções do álbum ‘Expresso 2222’, de Gilberto Gil

“Expresso 2222”, de Gilberto Gil, está entre os álbuns mais importantes da MPB, e naturalmente suas canções ganharam, ao longo de cinco décadas, diferentes interpretações nas vozes de vários cantores. Essa reverência sempre se manteve no campo musical, até a conclusão do livro-objeto “Expresso 2222”, de Ana Oliveira, que será lançado no dia 16 de fevereiro, às 15h, no Edifício Oceania, em Salvador.

Imagem: Divulgação

O livro será uma das atrações do tradicional evento que anuncia a programação do Camarote Expresso 2222, um dos mais festejados do Carnaval da Bahia. A publicação concebida por Ana Oliveira traz releituras das músicas em textos, pinturas e outras manifestações artísticas, a partir do olhar de intelectuais, jornalistas e artistas.

Cada um dos convidados interpreta, faixa a faixa, o álbum de Gilberto Gil. Hermano Vianna, Fernanda Torres, Micheliny Verunschk, Patricia Palumbo, Moreno Veloso, Cláudio Leal, Arnaldo Antunes, Lorena Calábria e Mila Burns desvendam a história por trás de cada canção, enquanto Renata Felinto, Regina Silveira, assume vivid astro focus (avaf), Patricia Palumbo, Nino Cais, André Vallias, Vânia Mignone, Arnaldo Antunes, Muti Randolph, Marcela Cantuária e Merepe colaboram com obras visuais.

O empenho editorial ainda conta com uma vasta e meticulosa pesquisa, que combina levantamentos em arquivos públicos e privados, notícias de imprensa, depoimentos e curiosidades que vão da partida de Gil para a Europa, em 1969, até o início da circulação do álbum “Expresso 2222” no Brasil, com suas potentes reverberações.

De acordo com Ana Oliveira, o livro apresenta leituras tão diversas quanto o álbum gravado em 1972. Com interpretações textuais e visuais, cada uma captando a seu modo o espírito renovador de um projeto singular que não perde seu frescor, o livro, segundo a organizadora, escancara ainda “o experimentalismo aberto, vitalista, e os ‘giros caóticos yin-yang’ de que esse disco é feito”.

Aqui, cabe destacar também a influência do design do álbum de Gil. Além de elementos tridimensionais incorporados ao livro, Ana inventou uma sobrecapa redonda, que é também um pôster, em alusão ao layout original da capa do disco.

“A capa de um LP era um objeto para ser contemplado, manuseado com calma, pois continha elementos que podiam preparar o espírito para a experiência musical”, analisa a autora. Nesse sentido, a proposta de capa de “Expresso 2222” foi bastante idiossincrática.

“O design transgredia o padrão quadrado das embalagens de LPs com uma proposta de layout nunca vista na indústria do disco: uma capa circular, concebida pelo designer baiano Edinízio Ribeiro Primo”, conclui.

O LP “Expresso 2222”

Cinquenta anos atrás, quando Gilberto Gil acabava de voltar do exílio imposto pela ditadura militar, a música popular brasileira conhecia um álbum que se tornaria um dos mais relevantes de sua história.

Desde 1967, na germinação do movimento tropicalista, Gilberto Gil buscava elementos da música popular tradicional, sobretudo a nordestina, para sua obra. O impulso estético representado pelo tropicalismo a partir de 1968 aguçou ainda mais o desejo de incorporar elementos musicais brasileiros ao projeto vanguardista.

O exílio forçado pela ditadura em 1969, que levou Gil e Caetano para Londres, no auge do swinging London, acabou colaborando para que novos elementos do pop e do rock internacionais entrassem no balaio do compositor baiano.

“Expresso 2222”, de 1972, foi, assim, talvez o mais radical álbum de Gil, em que a experiência no exterior e a música em voga no exílio se articulam com elementos estéticos contrastantes, como o cancioneiro nordestino. Baião e rock, samba e jazz, numa combinação única e perene.

O experimentalismo do álbum emitiu sinais para as gerações de artistas que se seguiram, no Brasil e fora do país.

“Composição e arranjo, verbo, verso, canto, ritmo, melodia, sanfona no violão, violão na guitarra, samba no rock, jazz no baião”, elenca Ana Oliveira. O resultado é uma obra fundamental da vida cultural brasileira.

O álbum histórico da MPB conta com nove faixas: “Back in Bahia”, “Ele e Eu”, “Expresso 2222”, “O Sonho Acabou” e “Oriente”, todas de autoria de Gilberto Gil, além de “Pipoca Moderna”, composição instrumental de Sebastião C. Biano que receberia um pouco adiante letra de Caetano Veloso; “Sai do Sereno”, de Onildo Almeida; “Chiclete com Banana”, de Gordurinha e Almira Castilho; e “O Canto da Ema”, de Ayres Viana, Alventino Cavalcanti e João do Vale, as duas últimas clássicos do repertório de Jackson do Pandeiro.

Sobre a autora

Ana Oliveira concebeu e editou outros livros-objeto dedicados à MPB, como “Tropicália ou Panis et Circencis e Acabou Chorare”. Com Gilberto Gil, publicou, em 2015, “Disposições Amoráveis”. Ana é também autora do site tropicalia.com.br, referência de informação sobre o movimento tropicalista.

Segundo Gil, Ana Oliveira “tem compromissos com o desenrolar histórico da cena cultural do Brasil, é uma criadora engajada numa visão de multiplicidade cultural e é pessoalmente próxima ao meu trabalho e à minha pessoa”.

Com tiragem limitada, o livro está à venda na Magalu e em diversas livrarias físicas e outros canais on-line.

Foto: Marcos Duarte

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