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Banda Soprü lança novo álbum ‘Cidade do Suor’

Com oito faixas, o novo disco marca uma fase indie pop da banda, com mais sintetizadores, e fala sobre a vida urbana a partir do calor, dos símbolos do cerrado, dos mitos e do amor

A Soprü, banda de Palmas, no Tocantins, lança no dia 22 de setembro de 2026 o álbum “Cidade do Suor”, pelo selo Rockambole. Com oito faixas, o disco marca uma nova fase do grupo, que chega mais próxima do indie pop e amplia a presença dos sintetizadores, sem deixar de lado as guitarras, os baixos e os instrumentos de sopro que fazem parte da sonoridade da banda. Ouça o álbum antecipadamente aqui. 

Capa do álbum por Juliana Triers, Júlia Ferreira e Wellis Raik

A referência passa por artistas como Gorillaz e Metronomy, além de diferentes caminhos do pop rock, mas a Soprü encontra no próprio Tocantins a principal matéria para as músicas. O resultado é o que a banda chama de “Indie Pop do Pé Rachado”, uma definição que brinca com a ideia de uma música feita a partir da experiência de viver em uma cidade quente, seca e marcada pelo cerrado.

“Cidade do Suor” nasceu das experiências de Carvalho Samuel em Palmas. As oito músicas são assinadas por ele, com exceção de “Linguagem dos Homens”, composta em parceria com a artista argentina Luna Esandi. Ao lado de Samuel, estão Wellis Raik nas guitarras, Lucas de Jesus no saxofone e clarinete, Caio Paiva nos sintetizadores e guitarra e Iury Grooveman no baixo e sintetizadores. Pedro Henrique Sousa participa das baterias e Frederico Garibalde assina a produção musical, mixagem e parte das guitarras.

O calor é o ponto de partida do álbum. Em “Cidade do Suor”, Palmas aparece como uma cidade difícil de escapar. O sol, a poeira e o cansaço aparecem nas músicas e chegam até dentro de casa. A falta de oportunidades e a vontade de ir embora também fazem parte desse cenário, junto da sensação de que sair da cidade pode parecer necessário, mas nem sempre significa saber para onde ir. É a partir desse cenário que o álbum olha para a Roma Antiga, mais especificamente para o momento de sua ruína. A imagem da cidade tomada pelo fogo encontra um paralelo no cerrado tocantinense, que todos os anos também convive com o período de queimadas.

Em “Ar em Roma”, essa relação aparece de forma mais direta, colocando o calor de Palmas e o fogo que consumiu Roma lado a lado. A música parte de uma imagem grandiosa, mas volta para o cotidiano e para a vida dentro de um apartamento quente. As queimadas, a poeira, o calor e as paisagens do cerrado fazem parte de um lugar muito específico, mas o que o álbum fala a partir delas vai além da paisagem. A sensação de cansaço, a vontade de fugir, a falta de caminhos e a busca por algum tipo de alívio também fazem parte da experiência de viver na cidade. No meio disso, o amor aparece como uma possibilidade de escapar, mesmo que por pouco tempo.

A paisagem presente nas letras traz, por exemplo, o tão importante Rio Tocantins, as piranhas, as arraias e o capim dourado que aparecem de forma direta nas músicas. A água surge como uma possibilidade de alívio diante do calor, enquanto o amor aparece em alguns momentos como outra tentativa de escapar da exaustão da cidade. Antes do lançamento do álbum, a Soprü apresentou esse universo ao público através de dois singles. “Douraddo” foi a primeira música lançada e trouxe para a banda a imagem do capim dourado, tão ligada ao Tocantins, relatando amores vividos na cidade. Depois veio “ArraiasCéus”, primeira faixa do álbum e também a última música a ser apresentada antes do disco completo. A faixa leva a água para o centro da narrativa e apresenta a orla, o lago, as piranhas e as arraias como parte de um cotidiano urbano.

fotografia por João Pedro Monteiro (@cyberj0n)

O álbum também abre espaço para participações que ampliam a história contada pela Soprü. “Cidade do Suor”, faixa-título, conta com a participação da cantora tocantinense Jady Aline, enquanto “Linguagem dos Homens” traz Luna Esandi, que também divide com Carvalho Samuel a composição da música. A faixa brinca com a própria ideia de comunicação e muda de idioma ao longo da música, levando o espanhol para dentro desse universo.

“Portal Pra Outra Vila”, que encerra o álbum, segue por um caminho diferente. Depois de músicas marcadas por uma sensação mais individual de cansaço e vontade de fugir, a última faixa é coletiva e reúne vozes de amigos, artistas e parceiros da cena musical tocantinense. O coral aparece cantando junto em uma espécie de tentativa de encontrar uma saída, fazendo com que o disco termine não com uma fuga solitária, mas com várias pessoas procurando juntas uma passagem para outra vila.

Ao longo das oito faixas, a Soprü passeia por diferentes formas de falar sobre a cidade. Tem o rio, a poeira, o calor, o desejo, a vontade de ir embora e também as pessoas que permanecem. Cada música acrescenta uma parte desse mapa que forma o universo de “Cidade do Suor”, que também aparece na identidade visual do álbum. A capa apresenta uma cidade quente, atravessada pela poeira, reforçando o ambiente que está presente nas músicas. O disco parte de elementos muito ligados ao Tocantins e à vida em Palmas, mas fala também de experiências que podem ser reconhecidas por quem vive em qualquer cidade, como o cansaço, a rotina, a vontade de escapar, os afetos e a relação íntima que cada pessoa desenvolve com o lugar onde vive. É nesse espaço entre o que é particular do Tocantins e o que pode ser reconhecido por qualquer ouvinte que “Cidade do Suor” encontra sua identidade.

Soprü

Formada em Palmas, no Tocantins, a Soprü é uma banda que mistura indie pop, rock alternativo e MPB com guitarras, baixos e instrumentos de sopro, criando uma sonoridade indie pop ainda mais marcada pelos sintetizadores. Depois do álbum “Enquanto a Orquestra Não Vem”  e do EP “Semana Estreita“, a banda chega a uma nova fase com “Cidade do Suor”, seu segundo álbum de estúdio. Com lançamento pelo selo Rockambole previsto para 22 de setembro, o disco reúne oito faixas sobre o calor, a paisagem e o cotidiano da cidade, levando para a música experiências que fazem parte da vida no Tocantins. Com uma linguagem própria, que a banda define como “Indie Pop do Pé Rachado”, a Soprü segue desenvolvendo seu trabalho a partir da cena independente tocantinense e das referências que encontra no próprio lugar onde vive.

fotografia por João Pedro Monteiro (@cyberj0n)

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