Por Isabella Botelho; 14/10/2019 às 18:51

25 anos de Pulp Fiction: a explosão do cinema indie

Quentin Tarantino foi o grande precursor do cinema independente 

Aplausos raivosos e gritos de indignação. Foi assim que Quentin Tarantino subiu ao palco para receber a Palma de Ouro de Cannes pelo selvagem e inovador Pulp Fiction em 12 de maio de 1994. Hoje, 14 de outubro, o incrível filme de um dos diretores mais aclamados do mundo completa 25 anos de seu lançamento nos Estados Unidos, marcando um impacto no cinema independente através de seu marketing, distribuição e lucratividade. 

O segundo longa-metragem de Tarantino, então com 30 anos, venceu contra todas as previsões e certezas em uma noite feita para Krzysztof Kieslowski. O diretor polonês, com o terceiro longa da Trilogia das Cores, “A Fraternidade Vermelha”, era o favorito até para Tarantino, que acreditava que levaria ao menos o prêmio de melhor roteiro.

Mas foi Michel Blanc que saiu com o melhor roteiro e, em seguida, Nani Moretti ganhou como melhor diretor. As esperanças de sair premiado haviam acabado, afinal, só restava a Palma de Ouro. Foi quando o inesperado aconteceu. A partir dos minutos seguintes, nada mais seria igual para o diretor, que se transformou no profeta do cinema moderno, ou para os atores que participaram da produção. 

Passado um quarto de século, o filme é um marco no cinema. Pulp Fiction rompeu moldes e rótulos: os que separavam o cinema da cultura pop, o independente da massa e o excelente do difícil. Ao fazer isso, deixou o público e a crítica boquiabertos. 

Com um ritmo acelerado, montagens fragmentadas e cenas que ficaram para a posteridade, o filme não era nada como os outros que estrearam no mesmo ano (Rei Leão e Forrest Gump, por exemplo): Pulp Fiction  é conhecido por diálogos ricos e ecléticos, cheios de humor e ironia.

Após sua passagem por Cannes, o filme estreou nos Estados Unidos em outubro de 1994 e, ao invés da clássica estratégia da Miramax de estrear em um número reduzido de salas, Pulp Fiction chegou diretamente a milhares de salas em todo o país. Arrecadou US$ 9,3 milhões no primeiro final de semana, superando, inclusive, “O especialista”, de Sylvester Stallone. Ao final da temporada, alcançou a marca de US$ 107,9 milhões nos EUA e US$ 212,9 milhões no mundo todo. 

A verdade é que ninguém esperava isso. Nunca antes um filme independente havia superado os cem milhões de dólares. Mas, a partir de então, todas as grandes distribuidoras de Hollywood começaram a produzir projetos de baixo orçamento. Era o triunfo do cinema independente.

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