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#MercadizarExplica: FOMO e JOMO

Conheça os termos presentes na era digital que traduzem sentimentos opostos: do medo de ficar de fora ao alívio de não participar

Com as redes sociais cada vez mais presentes no cotidiano, a sociedade adotou novas formas para socializar e saber o que está acontecendo ao seu redor. Através de posts e stories, são compartilhados diversos conteúdos que geram curtidas e atraem a atenção dos internautas. Quem nunca ficou encantado com aquele post da viagem perfeita? daquela cafeteria bonita e instagramável? ou até com aqueles vídeos da festa perfeita?

Arte: Mercadizar

Se por um lado, existem pessoas que, ao verem esses conteúdos, sentem que estão perdendo algo ou não aproveitando a vida como deveriam. Por outro lado, existem aquelas que agradecem por não participar desses momentos e se sentem confortáveis na sua zona de conforto. 

Nesse contexto, dois termos ganham destaque: FOMO (Fear of Missing Out) e JOMO (Joy of Missing Out). Enquanto FOMO representa justamente essa ansiedade de estar perdendo algumas “experiências valiosas”, JOMO surge como uma sensação de autossuficiência positiva, valorizando a desconexão proposital. Esses conceitos, trazidos pela era digital, afetam milhões de pessoas e seguem em discussão por psicólogos e especialistas em saúde mental pelo mundo todo. 

O que é FOMO?

FOMO é a sigla para Fear of Missing Out, traduzida como “medo de ficar de fora” em português. O primeiro relato da definição desse termo foi em julho de 2013, quando um usuário da Wikipédia escreveu um pequeno texto, já relacionando o sentimento à mídia social. O manuscrito referenciava um artigo publicado pelo psicólogo social Andrew Przybylski e alguns colegas, que conceitua “FOMO” como a ansiedade após um indivíduo perceber que está perdendo momentos “únicos” que outras pessoas estão vivendo, gerando a vontade de permanecer continuamente conectado e se comparando com outros perfis nas redes sociais. 

Segundo estudos sobre o tema, “FOMO” é um fenômeno universal que atinge principalmente os jovens, resultando em um impacto negativo no humor e na percepção geral com a vida. As experiências de ansiedade, provocadas por esse “medo de não participar”, causam tensão, preocupações e até mudanças físicas, como o aumento da pressão arterial e perturbações comportamentais, de acordo com a Associação Americana de Psiquiatria. 

Um levantamento do Panorama da Saúde Mental 2024, realizado pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel, que analisa o bem-estar psicológico dos brasileiros, constatou que 45% das pessoas afirmam que as redes sociais afetam negativamente a saúde mental, segundo a própria percepção. O grupo que relatou impacto negativo ou muito negativo na saúde mental é formado por mulheres na faixa etária de 25 a 34 anos.

Os conteúdos compartilhados nos aplicativos podem trazer informações divertidas, construtivas e importantes, mas, ao mesmo tempo, também podem desencadear a dependência virtual. Para se desligar um pouco mais das telas, é preciso buscar um equilíbrio entre momentos de lazer e a relação com o aparelho, por exemplo, estabelecendo períodos onde o celular não pode ser usado ou a prática de atividades físicas longe do smartphone. 

O que é JOMO?

Segundo o estudo “JOMO: Alegria de perder algo e sua associação com o uso de mídia social, autopercepção e saúde mental” do doutor Christopher Barry e outros autores, JOMO (Joy of Missing Out) é a ausência da angústia de não participar e uma maior sensação de bem-estar e autossuficiência, sendo o oposto do conceito anterior. 

Traduzido para o português como a “alegria de não participar”, o termo faz referência aos sentimentos positivos em relação à independência ou desconexão com outros, de acordo com o pesquisador dinarmaquês Svend Brinkmann, em sua obra “A alegria de perder: a arte da autocontenção em uma era de excessos”. Dessa forma, JOMO se refere a pessoas que realmente se alegram e preferem não participar de certas interações sociais. 

Um aspecto importante envolvendo esse termo é a “liberdade e a decisão de escolher períodos de desconexão”, ou seja, mesmo com diversas outras opções possíveis, a pessoa encontra prazer na escolha de não participar em  vez de se sentir isolado por não ter outras alternativas disponíveis. 

Outro ponto importante para enfatizar é a diferença entre solidão e JOMO nesse contexto. Enquanto a solidão é a sensação da falta de conexão com outras pessoas, como algo indesejado, JOMO é a vontade de não ter conexões, por pelo menos um certo período. 

“O primeiro está ligado a consequências significativas e negativas para a saúde, enquanto o último está presumivelmente associado a um melhor bem-estar devido ao desejo de desconexão,” afirma Christopher Barry. 

Cada vez mais, é perceptível o crescimento do desejo de aproveitar a própria “solitude” – o tempo que passamos sozinhos, sem interagir com outras pessoas. A psicóloga Thuyvy Nguyen afirmou que, em uma pesquisa realizada com mais de 18 mil adultos em todo o mundo, mais da metade escolheu a solitude como uma das principais atividades praticadas para descansar. 

A psicóloga ainda ressalta o benefício de reservar um tempo para si mesmo, impactando positivamente o humor diário. Além disso, a solitude pode ajudar a entender os sentimentos e aliviar emoções fortes como ansiedade e euforia. 

Redes Sociais e sua influência

O uso das plataformas, de forma positiva, facilita a comunicação e auxilia em vários processos, como o acesso rápido à informação e a otimização de tarefas diárias. 

Essa presença tecnológica no dia a dia já é inegável, e os novos comportamentos influenciados pelas mídias digitais vêm sendo amplamente estudados por diferentes pesquisadores. No entanto, é preciso discutir os problemas físicos e psicológicos que essas plataformas podem causar à saúde. 

O autor Christopher Barry, a partir do estudo da psicóloga Ursula Oberst e seus colaboradores, assim como a pesquisa de Zachary Baker e sua equipe, aponta que o alto engajamento nas redes sociais é parcialmente explicado pelo conceito de “Fear of Missing Out”, já que indivíduos com elevados níveis de FOMO constantemente sentem vontade de checar suas mídias sociais para se manterem atualizados e conectados, o que pode gerar problemas na saúde mental e física. 

Essa interação abusiva nas plataformas e a comparação de uma realidade com outras compartilhadas nas redes sociais é preocupante, visto que é crescente o número de evidências que associam o uso excessivo das redes sociais ao vício em substâncias, como mostra a pesquisa realizada na Universidade Estadual do Michigan, nos Estados Unidos. 

Por outro lado, Christopher Barry e outros pesquisadores afirmam que JOMO e a vontade de desconectar das mídias é mais aparente para pessoas que determinam um nível pessoalmente ideal do uso dessas plataformas, sem permitir que elas interfiram fortemente nos comportamentos pessoais. 

A atitude de desconexão proposital, reservando um tempo dedicado aos próprios pensamentos e emoções, sinaliza “relacionamentos interpessoais gratificantes que não exigem mediação por meio dessas plataformas comuns”, destaca o autor. 

“Em contraste, o JOMO captura sentimentos de contentamento e bem-estar durante esses períodos de solidão. Enquanto o FOMO é fundamentado na necessidade básica de afiliação e conexão com os outros, construções como solidão e JOMO apontam para os benefícios potenciais de algum tempo sozinho e/ou em busca de interesses individuais.”, destaca o artigo de Christopher Barry.

Em um mundo com constantes evoluções tecnológicas, compreender o equilíbrio entre FOMO e JOMO é imprescindível para uma relação mais saudável com os recursos digitais. Enquanto a conectividade constante pode alimentar a comparação e ansiedade, aprender a apreciar os momentos offline com a própria companhia pode representar uma etapa importante rumo ao bem-estar pessoal e virtual. 

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