Comunicação

#MercadizarEntrevista: Especial Dia do Repórter

Contar boas histórias, gerar conexão, informar e dar visibilidade a diferentes realidades. Tudo isso faz parte do dia a dia de todos os repórteres, que dedicam suas carreiras ao fazer jornalístico. 

Neste Dia do Repórter, o #MercadizarEntrevista traz aos nossos leitores uma celebração aos profissionais que levam ao público muito mais que informação e entretenimento.

Cinco repórteres de TV nos contaram sobre a sua paixão pela reportagem e a responsabilidade inerente à carreira.

Arte: Mercadizar

A seriedade da reportagem

Não tão valorizados quanto deveriam, os repórteres têm papel crucial em nossa sociedade. São alguns dos responsáveis – entre os demais profissionais da informação – por informar e levar até o público imagens e relatos sobre diversos contextos, fatos e histórias. 

Estar nas ruas e nas redações desenvolvendo as melhores maneiras de comunicar conteúdos relevantes e essenciais para a cidadania e democracia faz com que estes profissionais estejam constantemente imersos na responsabilidade de informar com veracidade e credibilidade. 

Uma das repórteres entrevistadas para este especial, Rhayssa Couto, descreve como interpreta o papel e a importância social dos repórteres em nossa sociedade:

“Por conta da televisão chegar onde a internet não chega, é crucial sermos o direcionamento de confiança e veracidade de quem nos assiste. Levar informação, notícias e conteúdo para quem está em casa é um compromisso firmado com a sociedade, por isso a importância de checar tudo o que é falado, cumprir esse papel com a sociedade é muito mais do que apenas fazer uma matéria, é ser um norte pra quem está em casa. Não é à toa que aprendemos que ser jornalista é ser o porta voz do povo e o repórter é quem vai até as ruas, rios, casas, no sol ou na chuva, entregando a verdade, seja no jornalismo ou no entretenimento”, enfatiza a profissional que atua com reportagens televisivas na Rede Amazônica há quatro anos.

Imagem: Rhayssa Couto

Para Mei Shapiama, jornalista há 14 anos e repórter da editoria policial há 7, se comunicar com a audiência “é algo sério, onde, acima de tudo, precisamos ter ética e responsabilidade ao passar a informação, por isso, é crucial o repórter apurar cada informação, porque uma informação errada pode gerar danos às vezes irreparáveis”, destaca a repórter da TV Norte Amazonas.

Imagem: Mei Shapiama

Rubia Cassol, repórter da TV Band Amazonas, afirma que em meio à onda de informação em que vivemos, e para além das notícias factuais, o papel dos repórteres é filtrar e fazer da televisão um lugar confiável, leve e com credibilidade.

“Atualmente, eu acredito que o papel do repórter de TV vai muito além da informação. Precisamos criar conexões e laços com quem assiste, levar confiança e credibilidade. Ter um olho atento para entender o que é importante para o público.”

Imagem: Rubia Cassol

Rubia Cassol explica que são diversos os desafios de atuar como repórter, mas o principal é “procurar a credibilidade acima dos interesses. Acredito que lidar com a vulnerabilidade da nossa imagem é o maior. Com o julgamento ou com pessoas que não separam a profissão da parte pessoal, principalmente quando se trata de uma profissional mulher.”

Já para Nathalie Moraes, repórter da TV Record Manaus, “os desafios são diários, a profissão ‘repórter’ é uma profissão sem rotina. Todo dia uma nova história, um novo lugar. Em um dia, participamos de um coffee-break com o presidente da República e, no dia seguinte, estamos tomando café com um ribeirinho.”

Imagem: Nathalie Moraes

O amor à profissão

A escolha de se tornar repórter parte de lugares diferentes para cada profissional, pois cada história de carreira é individual e subjetiva. São diferentes inspirações, motivações e circunstâncias que fazem a caminhada jornalística única para cada um.

Nathalie Moraes é jornalista há 12 anos e repórter há 9. Ela explica que ao longo dos seus 32 anos de idade, sempre amou se comunicar: “sou fascinada pela arte de contar histórias de diferentes pessoas diariamente”. A repórter explica que este amor pela comunicação foi o que a motivou a se tornar repórter.

Imagem: Nathalie Moraes

Linda Almeida, repórter da TV A Crítica, conta que sua motivação foi diferente, e compartilha a sua primeira experiência como repórter no início de sua carreira, há cinco anos:

“Na realidade, nunca foi minha vontade ou grande sonho, diferente de muitos colegas. Um belo dia, não tínhamos repórteres na casa [onde trabalhava na época] e me mandaram como repórter ‘mãozinha’, por ainda ser estagiária, e desde então comecei a sair com frequência. O que me motivou e o que faz eu amar demais essa profissão é o fato de eu ser capaz de contar histórias. Parece clichê, mas acho incrível e bonito como cada entrevistado confia em nós para contar a história deles e saber que com esse ‘simples’ ato nós podemos levar a informação para quem precisa e até mesmo mudar vidas e destinos. Adoro que vamos conquistando essa confiança ao ponto do entrevistado sempre ser extremamente grato apenas por estarmos lá para ouvi-los. Por mais que acredite que quem deveria ser grato somos nós, repórteres.”

Imagem: Linda Almeida

Já a caminhada de Rubia Cassol no jornalismo é diferente, e iniciou ainda na infância:

“Minha história com o jornalismo começou bem novinha, com mais ou menos 11 anos. Decidi que era aquilo que eu queria para minha vida e segui. A cada ano que passava eu tinha mais certeza, mesmo começando a conhecer as adversidades que a profissão sempre enfrentou. Quando comecei meu estágio na TV Band, percebi que a realidade do jornalismo era mais do que o passado dentro da sala de aula, e isso me fez gostar ainda mais da produção, da externa, de edição… tudo o que envolve ver o processo criativo de uma reportagem bem produzida, desde a sugestão de pauta até a edição de imagem, é o que me brilha os olhos.”

Imagem: Rubia Cassol

Para Mei Shapiama, a motivação para explorar a profissão se deu por querer perder a timidez: “Era uma pessoa totalmente fechada, depois que entrei no jornalismo me tornei mais acessível, mais comunicativa.”

Imagem: Mei Shapiama

Analisando os anos de atuação, Rhayssa Couto, destaca que sua motivação parte das pessoas e do carinho recebido por quem acompanha e colabora com seu trabalho.

“Com alguns anos dentro dessa realidade, é inegável o cansaço e esforço que precisamos realizar… o que muitos nem devem imaginar a proporção. Mas o que mais me impulsiona, renova e instiga a paixão por essa área, são as pessoas! Ter o reconhecimento de quem assiste é impagável. É impossível não se sentir impulsionado. É o carinho na rua, as mensagens nas redes sociais, são os comentários de amor e felicidade, é a representatividade de estar ali sendo a voz de pessoas que não acreditam ter voz. Além disso, é se apaixonar por cada história contada. Quando conhecemos inúmeras realidades, é difícil não se apaixonar por tudo que você grava, isso alimenta ainda mais a paixão pelo fazer jornalístico! E o melhor, você começa a amar muitas coisas de diferentes contextos e realidades, tudo isso, por ver o amor de quem você está entrevistando. Todo esse amor é movimentado e incentivado pelas pessoas!”

Imagem: Rhayssa Couto

Não é só glamour, é também trabalho duro

Repórteres atuam em diversos tipos de veículos de comunicação e não somente em TV, como é o caso de nossas entrevistadas. 

Mas – no caso delas – estar diariamente nas telinhas, sendo assistidas por milhares de telespectadores, pode fazer com que algumas pessoas imaginem que a rotina de um repórter de TV seja rodeada de glamour. E nossas entrevistadas nos mostram que a realidade não é bem desse jeito:

“Não é um mundo de rosas. É exaustivo, tanto físico quanto mentalmente. Temos nas costas uma responsabilidade enorme, como falado anteriormente, podemos mudar vidas de forma negativa e positiva, por isso ‘não podemos’ errar e somos cobrados tanto pelo público quanto pelas redações. Da mesma forma, não temos horários muito fixos (feriados e fins de semana são dias normais de trabalho) e acabamos por entrar na profissão de cabeça. Mas ainda acredito que seja um caminho natural. Costumo dizer que jornalismo e o mundo da reportagem de rua é pra quem ama o que faz. Se escolher apenas pelo fato de apenas ‘querer ficar famoso’, creio que não irá muito longe”, explica Linda Almeida.

Imagem: Linda Almeida

Para Rhayssa Couto, a ideia glamurosa sobre o jornalismo em TV é algo que gostaria que fosse desmistificado.

“Acredito que o maior mito seja o glamour que dizem ter. Ser repórter e apresentadora, não nos permite qualquer luxo (risos), até para ter algum luxo, tem muito perrengue no caminho. Geralmente, nos associam a uma realidade totalmente irreal. Por trás de cada matéria, tem muito suor, esforço e empenho para fazer acontecer!”, enfatiza a repórter.

Imagem: Rhayssa Couto

E para quem corre contra o tempo para levar ao público as notícias quentes do momento com qualidade, não há mesmo nenhum luxo: o que mais marca presença é o trabalho duro e cercado de técnicas e profissionalismo. E isto é algo que Mei Shapiama afirma que gostaria que mais pessoas soubessem sobre a profissão:

“Que somos humanos, que nossa profissão vai muito além de informar, que jornalismo é amor pelo o que fazemos, que não temos hora para estar nas ruas, para pegar a melhor imagem, a melhor entrevista, tudo para deixar os telespectadores bem informados, e que, como qualquer outra profissão, também merecemos respeito.”

Senta que lá vem história

O contato com tantas pessoas a cada matéria e entrevista feita por um repórter é sempre uma oportunidade a mais de conhecer e contar novas histórias.

Como mostra Rhayssa Couto, a importância de boas histórias é levar com elas o acolhimento e o pertencimento que há na história de outras pessoas.

“Estar na televisão é acessar camadas além do senso comum e das bolhas que nos cercam, é chegar onde a internet não chega (o que muitos não imaginam, por acharmos que todos têm esse acesso). Contar boas histórias é acessibilizar conteúdo e entretenimento, não somente divertir, mas ensinar e conscientizar. O papel de realizar matérias semanais para cinco estados, vai muito além de apenas gravar uma matéria qualquer, é também permitir que esses materiais possam mudar a realidade de inúmeras pessoas e permitir que elas se sintam parte disso, onde possam se ver através do que estamos mostrando. Essa é a importância de contar não apenas boas histórias, mas histórias com propósitos.”

A sensibilidade ao ouvir histórias dolorosas contadas por quem passou algum fato triste ou por perdas; o cuidado ao recontar essas histórias para uma audiência; o respeito e a empatia por quem expressa a sua vulnerabilidade ao repórter para que este passe a conhecer melhor os acontecimentos: tudo isso faz parte da atuação responsável de um repórter, e para Mei Shapiama, é um grande desafio em sua profissão:

“O mais desafiador é contar histórias de pessoas, principalmente as tristes, fortes, e chocantes. É você se pôr no lugar dessas pessoas, você sentir a dor de uma mãe e sentir revolta com casos que envolvem principalmente as crianças.”

Imagem: Mei Shapiama

Além disso, histórias comoventes são sentidas também pelos profissionais, afinal de contas, é impossível deixar o lado humano de lado a todo momento. Como conta Nathalie Moraes, sobre um momento memorável em sua carreira:

“Depois de vencer 18 dias de internação para Covid-19 estando gestante, no dia do falecimento da minha mãe, dia 19 de janeiro de 2021, noticiei a chegada da vacina e a primeira pessoa imunizada contra a Covid-19 em Manaus”, relembra Nathalie.

Imagem: Nathalie Moraes

O acesso e oportunidade de passar adiante o que foi ouvido ou vivido em cada entrevista diferente é também o que mantém a curiosidade e paixão de Linda Almeida pelo jornalismo, como ela conta:

“Penso que é algo que não perde a magia nunca, até porque todo dia é uma reportagem diferente com pessoas diferentes. Sempre tem uma novidade. Mesmo que nem todo dia haja uma grande e emocionante reportagem, a curiosidade se mantém buscando algo novo mesmo nessas ‘pequenas’ matérias. É bom pensar que sempre haverá alguém assistindo/lendo.”

A repórter compartilha conosco uma memória especial vivida em uma transmissão ao vivo:

“Uma entrevista ao vivo com Zezinho Corrêa:

Na época eu era novata ainda no meio e precisava entrevistá-lo para divulgar um evento de livros. Deixei ele posicionado em um ponto e iniciei o ao vivo de outro, para dar dinamismo. Quando voltei, ainda no ar, ele havia sumido do ponto que eu o havia deixado e precisei procurá-lo ao vivo sem deixar que percebessem. O encontrei mais atrás, rodeado de fãs e precisei ‘arrancar’ ele dali, com delicadeza, para nossa entrevista. Tudo isso ao vivo. A expressão dele foi impagável, mas entrou ‘no personagem’ junto comigo como se tudo fosse combinado. O ao vivo tem dessas”, finaliza a repórter.

Imagem: Linda Almeida

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