Comunicação

Mercadizar Explica: A história do Festival de Parintins 

“Na ilha Tupinambarana, nasceu Parintins que eu vou decantar, Parintins dos Parintintins, o nome da tribo desse lugar” — por meio do verso do cantor Chico da Silva, começamos a mergulhar na história de uma das maiores manifestações populares do mundo. Talvez você já tenha ouvido falar de Parintins, a terra dos bois bumbás, ou do internacionalmente conhecido “Festival Folclórico de Parintins”. Mas onde começa essa história? Como o festival virou esse grande evento? Como esse espetáculo ganha vida? É o que vamos te contar!

Parintins fica localizada no interior do Amazonas, próximo à fronteira do Pará, em uma região conhecida como médio Amazonas, um território que abrigou indígenas de diversos grupos, como Parintintins, Tupinambás, Tupinambaranas e outros. É nesta ilha com forte presença indigena que a lenda do boi-bumbá, originada no Maranhão, foi adaptada e é encenada, tradicionalmente, durante o último final de semana de junho, em mais de 50 edições do Festival Folclórico da cidade.

O começo de tudo…

De acordo com estudo “O Boi-Bumbá de Parintins, Amazonas: breve história e etnografia da festa”, da pesquisadora Maria Laura Cavalcanti, a manifestação popular em Parintins iniciou-se por volta de 1913, com a fundação dos boi-bumbás Caprichoso (boi preto) e Garantido (boi branco). 

O primeiro festival no formato de disputa que conhecemos ocorreu em 1966, com um esquema diferente de avaliação e notas do usado atualmente. Naquela época o critério de vitória eram os aplausos do público. Com o passar dos anos, a rivalidade entre os dois bois foi crescendo e o festival tornou-se uma megaprodução de caráter massivo e com repercussão internacional. Mas, seja nos moldes mais simples de brincadeira ou no mais profissionalizante, todos os anos, a lenda reproduzida por Caprichoso e Garantido na arena do Bumbódromo é aquela que conta a história de um boi ressuscitado por um pajé.

Em mais detalhes, a pesquisa “Festival Folclórico de Parintins: uma análise teórica das influências culturais e indígenas”, de Letícia Gomes e Mayara Nascimento, revela que a história contada em três atos, dividida assim para caber nas três noites do festival, é a de um fazendeiro (Amo do Boi) que presenteia sua filha (Sinhazinha) com o boi mais bonito. O animal, no entanto, é morto por um dos empregados, o Pai Francisco, para saciar o desejo de sua mulher grávida, Mãe Catirina, de comer a língua animal. Arrependido, Pai Francisco sai em busca de um curandeiro para ressuscitar o boi, o pajé. É esse líder espiritual que salva tudo e ressuscita o boi para garantir que Mãe Catirina e Pai Franscisco possam ter um final feliz. 

Nesse sentido, tanto Caprichoso como Garantido representam o boi morto por Pai Francisco, e o festival é a celebração do feito de devolver a vida ao boi mais querido da fazenda. Enquanto o Nordeste usa a figura de um padre para ressuscitar o boi, aqui no Norte esse papel é do pajé, que, além de ressuscitar o boi, encena uma luta entre o bem e o mal, combatendo um espírito aterrorizante, tornando esse um dos momentos mais apoteóticos do festival, porque induz o público a refletir sobre as questões levantadas durante a apresentação. Para além dos itens citados acima, o Festival Folclórico de Parintins tem sete itens especificamente indígenas, como o Ritual Indígena, a Rainha do Folclore, a Cunhã-Poranga, o Pajé, as Tribos Indígenas, a Lenda Amazônica e os Tuxauas.

A brincadeira tomou outra proporção

Das brincadeira nas ruas para a história nacional, o espetáculo é um marco, uma das mais importantes expressões culturais nortistas e brasileiras, por tratar-se de uma manifestação que celebra a vida, a diversidade cultural e as raízes étnicas plurais do município. Não por acaso, em 2018 o evento ganhou o certificado de Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). 

Em relação ao desenvolvimento da economia, de acordo com dados da Prefeitura de Parintins, o festival é o principal propulsor da economia local. Segundo um levantamento feito pelo Departamento de Estatística da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas, de 2005 a 2018, o festival injetou cerca de R$ 426 milhões na economia parintinense. Com a pandemia, o evento deixou de ser realizado por dois anos, mas comerciantes e prestadores de serviços estimam um aumento na lucratividade de 85% a 90% com o retorno da festa e a presença de turistas. Além disso, são milhares de empregos temporários gerados e inúmeros impactos significativos para a economia, cultura e sociedade parintinense. 

Como o espetáculo ganha vida

O Festival acontece no Bumbódromo. A arena é uma versão de um Sambódromo, porém, com o formato da cabeça dos bois. O Bumbódromo é dividido nas cores azul e vermelho, representando respectivamente o Boi Caprichoso e Garantido. A rivalidade é tão grande que até a cidade de Parintins é dividida nessas cores – um lado é a Cidade do Garantido, enquanto o outro é a Cidade do Caprichoso, e no meio de cada cidade existe uma estátua de seu boi. A cultura bumbá é tão intensa que marcas como Coca-Cola, Banco Bradesco, guaraná Tuchaua e Brahma adaptam a cor dos seus produtos para vermelho e azul. 

Em relação ao julgamento feito para decidir qual dos bois será o campeão do festival, uma comissão de jurados de diferentes estados do Brasil, que não sejam da Região Norte, são convocados para avaliar cada noite do evento. Os itens individuais, coletivos e até mesmo a torcida são avaliados e recebem notas. Vale lembrar que durante a apresentação de cada boi, a arquibancada do boi contrário tem suas luzes desligadas e os torcedores devem permanecer em silêncio. 

No maior festival Folclórico do Brasil você irá apreciar cores, penas, beleza, carros alegóricos, galera, coreografias, música, dança e pura ancestralidade que vão encher seus olhos e lhe fazer suspirar durante as suas três noites de duração. Agora que você já conhece a história do Festival Folclórico de Parintins, não tem mais desculpa para não entender! 

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