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Dissertação sobre violência política contra mulheres indígenas é premiada no Emflor

A pesquisa “Aspectos simbólicos da violência política contra mulheres indígenas no Parque das Tribos, em Manaus”, da jornalista e mestranda Paula Litaiff, orientada pela professora doutora Iraildes Caldas Torres, conquistou o primeiro lugar no 8º Encontro de Estudos sobre Mulheres da Floresta (Emflor). 

Realizado no Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o evento contou com a apresentação de mais de 100 trabalhos. A premiação é considerada uma das mais importantes do cenário acadêmico no Brasil.

Imagem: Divulgação

O Parque das Tribos, localizado no bairro Tarumã, em Manaus, abriga cerca de 900 famílias de 37 povos indígenas. A dissertação vencedora analisou as complexas dinâmicas sociais e políticas da comunidade, com destaque para a liderança da cacica Lutana Kokama.

Ela é uma figura central na luta por direitos básicos, como acesso à educação e saneamento, e enfrenta atos de violência política há mais de uma década, em um contexto de desigualdade e opressão de gênero.

Um dos episódios mais emblemáticos do estudo foi a eleição democrática realizada em 2022 dentro do Parque, com acompanhamento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Lutana Kokama foi eleita pela maioria das famílias, reafirmando sua importância como liderança e resistência política. Contudo, a pesquisa revelou que, apesar dessa legitimidade popular, há resistência por parte dos homens da comunidade em aceitar mulheres em posições de liderança, destacando os desafios enfrentados pelas mulheres indígenas na luta contra a dominação masculina.

Durante a apresentação da dissertação, Paula Litaiff explicou como a violência simbólica atua para deslegitimar o trabalho de Lutana Kokama e outras mulheres da comunidade. 

 

Imagem: Divulgação

“Dos dez ofícios enviados à Prefeitura de Manaus solicitando serviços básicos, oito são feitos por Kokama e as mulheres do Parque. Entretanto, esse esforço não é reconhecido pelos homens indígenas, perpetuando a dominação masculina”, afirmou a pesquisadora. 

O estudo também apontou que a ancestralidade da etnia Kokama, historicamente voltada à liderança feminina, foi resgatada por Lutana, evidenciando sua força e resiliência.

A professora Iraildes Torres destacou que a violência política enfrentada por mulheres indígenas, como Lutana, manifesta-se de forma simbólica e patrimonial. 

“Embora essas mulheres não sofram violência física, enfrentam outras formas de violência que impactam suas vidas e liderança. É como se o patriarcado tivesse invadido a mente desses homens”, afirmou. 

Para enfrentar esses desafios, o estudo sugere que a coletividade e a manutenção das práticas ancestrais são fundamentais para fortalecer a liderança feminina nas comunidades indígenas.

A participação no Emflor incluiu debates em Grupos de Trabalho (GTs) sobre temas como “Mulheres Indígenas e o Bem-Viver” e “Gênero, Meio Ambiente e Ecofeminismo”. Além disso, a presença de caravanas de diversas regiões, como Recife e o interior do Amazonas, demonstrou o alcance nacional e a relevância das discussões promovidas pelo evento

Sobre o Emflor

O Encontro de Estudo sobre Mulheres da Floresta (Emflor) foi promovido pela UFAM e o Grupo de Estudo, Pesquisa e Observatório Social: Gênero, Política e Poder (Gepos), que é vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Serviço Social (PPGSS) e ao Programa de Pós-Graduação Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA), ambos da Universidade Federal do Amazonas.

Além disso, recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e congrega conferencistas, palestrantes e coordenadores de Grupos de Trabalhos (GTs) ligados a entidade públicas ou privadas, localizadas em Manaus, Parintins e Tefé, e nos estados de Roraima e Maranhão. Para saber mais, acesse: emflor.gepos.com.br. 

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