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Circuito Amazônico de Quadrinhos: a união em prol da nona arte

Fomentar a produção de quadrinhos locais, aproximar obras amazônicas do público, criar uma plataforma para novos talentos, valorizar a diversidade cultural da região, e muito outros, são os objetivos do Circuito Amazônico de Quadrinhos. A iniciativa, criada por artistas do Amazonas, Amapá, Pará, Roraima e Tocantins, conecta eventos voltados à nona arte para ampliar a visibilidade das produções do Norte em uma programação estendida por mais de um mês de atividades.

O início do projeto se deu em 2024 com a articulação entre Evaldo Vasconcelos e Andrei Miralha, produtores da Semana do Quadrinho Nacional de Manaus e da Semana do Quadrinho Nacional do Pará, respectivamente. Com inclusão e colaboração dos produtores e artistas dos demais estados, o Circuito Amazônico de Quadrinhos ganha, em 2025, sua primeira edição com eventos Manaus, Macapá, Belém, Boa Vista e Palmas, criando um instrumento estratégico para o desenvolvimento sociocultural, econômico e identitário da Amazônia contemporânea de forma integrada e inovadora.

“Em primeiro plano, o circuito assume papel fundamental na preservação e valorização da identidade cultural amazônica. Ao proporcionar plataforma para a produção e circulação de histórias em quadrinhos com temáticas regionais, possibilita que narrativas autênticas sobre a diversidade cultural e ambiental da Amazônia ganhem visibilidade. Ao conectar artistas e públicos de diferentes localidades, o projeto supera isolamentos geográficos e culturais, criando uma rede de trocas que fortalece a coesão identitária da Amazônia”, explica o roteirista e produtor cultural Evaldo Vasconcelos.

O projeto surge diante das múltiplas barreiras estruturais e culturais enfrentadas por quadrinistas nortistas para o ingresso no circuito nacional de HQs. Distância geográfica dos grandes centros editoriais do Sudeste, falta de infraestrutura local que encarece a produção e limita a circulação de obras, a escassez de editais focados em quadrinhos na região, entre outros problemas, reduzem oportunidades de crescimento da produção da arte sequencial no Norte.

 

Imagem: Acervo Pessoal

“Além disso, lutamos também contra o preconceito do mercado nacional que nos inferioriza, achando que na nossa região não tem grandes artistas, ou nos exotiza e nos coloca como tokens quando querem demonstrar uma imagem de ‘diversidade’. É urgente que o sul brasileiro (Centro-Oeste, Sudeste e Sul) aprenda a olhar para além de seu umbigo e a saber enxergar nossos trabalhos para além de olhares colonizados e superficiais”, destaca Tai Silva, quadrinista e uma das articuladoras do Circuito Amazônico de Quadrinhos.

A artista enfatiza que o trabalho de artistas amazônidas tem papel importante na criação de obras que registram e divulgam as histórias e culturas presentes nos diferentes estados.

“Hoje em dia, ter quadrinistas e artistas representando seus povos, com suas características, potências e lutas, é uma inspiração para que mais de nós se sintam donos de sua própria história e sejam incentivados a criar. É urgente a existência de mais narrativas amazônicas feitas por amazônidas. Só assim podemos desconstruir imaginários preconceituosos, guardar nossas narrativas ancestrais e contemporâneas e, desse modo, construir um território com memória histórica e com orgulho de sua cultura”, pontua Tai Silva.

Evaldo Vasconcelos também explica como o fomento à produção de quadrinhos contribui para o entendimento sobre as diferentes particularidades das culturas do Norte:

“As HQs democratizam o acesso a essas narrativas, alcançando públicos que não consomem formatos tradicionais (como livros acadêmicos). Sua linguagem híbrida – que combina texto e imagem – permite transmitir a complexidade cultural amazônica de forma dinâmica, atraindo tanto leitores locais quanto nacionais. Além disso, ao circular em feiras e plataformas digitais, essas obras desconstroem estereótipos sobre a região, mostrando a Amazônia a partir de perspectivas autênticas. Assim, os quadrinhos não apenas documentam, mas também reivindicam o lugar da cultura nortista no cenário artístico nacional.” 

Iniciativas como o Circuito Amazônico de Quadrinhos aproximam quadrinistas e entusiastas em uma rede de fomento, contando histórias ricas em narrativas próprias da região, democratizando o acesso à nona arte, contribuindo na afirmação identitária local, e sendo vetor de desenvolvimento econômico cultural  e regional.

Já apoiou algum artista local hoje? 

Para os fãs de HQs, há diversas maneiras de apoiar os artistas nortistas. 

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“Em tempos onde muita gente se vende em trend de IA, valorizar as criações feitas por humanos, é um dos maiores apoios que podem ser feitos”, lembra Tai Silva.

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