A história do teatro-circo em Manaus entre 2000 e 2010 está sendo documentada pelo artista e pesquisador Douglas Rodrigues. O trabalho reúne imagens, depoimentos e registros históricos para preservar a memória da presença da palhaçaria e das linguagens circenses na cena teatral amazonense, destacando artistas que marcaram esse período.

O levantamento dará origem à obra “Palhaçaria: Cartografia Visual do Teatro-Circo entre 2000 e 2010”, prevista para ser lançada em 27 de março de 2027, no Dia Mundial do Circo.
A pesquisa também se relaciona com a trajetória de Douglas Rodrigues na documentação da memória das artes cênicas no Amazonas. O artista, que atua como diretor, encenador e dramaturgo, já participou de trabalhos dedicados ao registro de importantes nomes do teatro amazonense.
Para desenvolver a pesquisa, o diretor conta com a parceria da produtora cultural Rafaela Guimarães, que atua no levantamento de informações e no contato com artistas, gestores e personalidades que participaram das transformações da cena teatral amazonense no período estudado.

Artistas que marcaram
Na capital amazonense, a aproximação entre teatro e circo ganhou força a partir dos anos 2000, com artistas que passaram a incorporar técnicas e elementos da palhaçaria em suas produções. Nomes como Selma Bustamante, considerada uma das referências no diálogo entre circo e teatro na capital amazonense, Socorro Andrade e Ana Cláudia Mota fizeram parte desse movimento que marcou as artes cênicas locais.

Entre as experiências que marcaram esse período está a Trupe da Alegria, criada pela artista Socorro Andrade. A iniciativa levou a palhaçaria para hospitais e espaços de atendimento à saúde, aproximando a arte de novos públicos e estabelecendo uma relação entre cultura, cuidado e humanização.
Trupe da Alegria
A Trupe da Alegria ganhou estrutura institucional durante a gestão do então secretário de Cultura Robério Braga, um dos entrevistados da pesquisa.
Segundo ele, a Secretaria de Cultura apoiou a iniciativa apresentada por Socorro Andrade e criou condições para sua execução, com recursos, transporte próprio e acompanhamento de profissionais como assistente social e psicóloga.

Além das trajetórias individuais, a pesquisa também registra experiências coletivas que marcaram o desenvolvimento do teatro-circo em Manaus. Entre elas está a atuação da Associação dos Artistas Cênicos do Amazonas (Arte&Fato), que conquistou o Prêmio Carequinha de Estímulo ao Circo, uma das primeiras premiações nacionais destinadas ao segmento circense.
A realização das atividades em espaços públicos também marcou esse período de aproximação entre artistas e população. Para Douglas Rodrigues, ocupar locais como o Largo de São Sebastião permitia que a formação artística ultrapassasse os espaços tradicionais de apresentação e criasse novos encontros entre a arte e o cotidiano da cidade.
“A escolha do espaço público tinha um significado particular. Ao desenvolver atividades abertas no coração da cidade, o projeto aproximava a formação artística dos transeuntes e transformava o cotidiano urbano em ambiente de encontro e experiência cultural. O público deixava de ser apenas espectador previamente convocado para uma sala de espetáculos. A arte passava a encontrar as pessoas em seus trajetos cotidianos”, afirmou Douglas.
Com lançamento previsto para março de 2027, a pesquisa de Douglas Rodrigues busca preservar registros de uma fase importante das artes cênicas em Manaus. Ao documentar experiências, artistas e iniciativas que aproximaram teatro, circo e palhaçaria, o trabalho contribui para manter viva a memória de uma produção cultural que marcou a cidade.