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Memória de vila histórica do Amazonas vira aventura em quadrinhos

A publicação ‘Paricatuba, a Vila das Mil Histórias’ transforma elementos históricos e culturais do território em uma aventura protagonizada por um menino de Manaus

A história de Paricatuba, vila localizada no município de Iranduba, no Amazonas, a menos de 40 minutos de Manaus, ganhou uma nova forma de ser contada. O cartunista, escritor, quadrinista e roteirista Romahs Mascarenhas transformou elementos históricos e culturais do local em uma aventura protagonizada por um menino de Manaus que viaja até a vila para conhecer a avó e acaba descobrindo histórias, personagens e aspectos da identidade do território.

O gibi “Paricatuba, a Vila das Mil Histórias” foi lançado no último sábado, dia 26 de setembro, durante uma programação especial que marcou o lançamento da Rota Turística Paricatuba, iniciativa que reúne ações voltadas ao Turismo de Base Comunitária (TBC), à valorização da história local e à criação de oportunidades para os moradores. As atividades integram o Viva Paricatuba, projeto desenvolvido pelo Impact Hub Manaus nas áreas de turismo, capacitação, infraestrutura, comunicação e fortalecimento comunitário.

A publicação elaborada por Romahs Mascarenhas, que faz parte do time da Mauricio de Sousa Produções e escreve histórias da Turma da Mônica, utiliza a linguagem dos quadrinhos para aproximar crianças, jovens, moradores e visitantes do patrimônio e da cultura local. Na trama, o protagonista mora com o pai em Manaus e sabe que tem uma avó em Paricatuba. Depois de perceber que o pai não encontra tempo para levá-lo até a vila, o menino decide fazer a viagem sozinho. Ao chegar, encontra a avó, um primo e outros personagens que passam a fazer parte de sua jornada.

Ao longo da aventura, o leitor conhece referências ao antigo leprosário, ao período em que o espaço foi utilizado como cadeia para presidiários e à fase em que funcionou como liceu de artes e ofícios. A história também apresenta moradores, costumes e elementos da cultura local.

“O gibi acaba sendo uma declaração de amor a Paricatuba, não apenas por contar a história do leprosário, mas por mostrar a cidade de hoje, sua gente e seu modo de vida. A mensagem é também sobre esse amor pelo lugar de onde você veio e a importância de se reconectar com as próprias raízes e com a sua história. Isso aparece na trajetória da família, em que o pai sai da cidade e nunca mais volta, mas o filho faz o caminho de volta para conhecer a avó e reencontrar esse lugar de onde a família veio. É essa relação com as raízes e com a história de Paricatuba que a gente tentou levar para dentro do quadrinho”, declara Romahs.

Da pesquisa aos personagens

Para criar a publicação, o cartunista combinou pesquisa histórica, observação do território e ficção. Os personagens foram construídos a partir de diferentes períodos da trajetória de Paricatuba e de características observadas pelo artista durante o contato com a vila.

“Fui criando os personagens a partir de diferentes referências. Há figuras históricas que fizeram parte da trajetória de Paricatuba e da região, como governadores, prefeitos de Manaus e médicos que atuaram entre o final do século XIX e o início do século XX, além de personagens dos tempos atuais. Outros são ficcionais, criados a partir da observação da comunidade e de características percebidas durante o contato com a cidade. A professora Vera, moradora de Paricatuba que me ajudou nas pesquisas, é a única moradora retratada como ela mesma na história. A reunião dessas referências históricas e das vivências em Paricatuba ajudou a construir os personagens e a narrativa de ficção”, explica o ilustrador.

Segundo ele, o processo de criação incluiu visitas à vila, registros fotográficos, pesquisas, elaboração do roteiro, conversas com a equipe do projeto e revisões. A experiência no território ajudou a incorporar aos quadrinhos características dos espaços, das pessoas e do cotidiano local.

Turma da Mônica

Nascido em Parintins, no interior do Amazonas, Romahs Mascarenhas começou a carreira profissional em 1996, produzindo charges e ilustrações para jornais de Manaus. Em 2011, passou a integrar a equipe de roteiristas da Mauricio de Sousa Produções. Ele também participou da coletânea MSP 50, projeto que reuniu artistas de diferentes regiões do país para reinterpretar personagens criados por Mauricio de Sousa.

Romahs é ainda autor da graphic novel A Última Flecha, indicada a prêmios como o HQMix e o Prêmio ABERST de Literatura, e do livro infantojuvenil Todos os Meus Gatos de Volta, que concorreu ao Prêmio Jabuti.

Quadrinhos para preservar a memória

Um dos coordenadores do Viva Paricatuba, que também é conhecido como Paricatuba Lab, Marcus Bessa, afirma que a escolha dos quadrinhos permite apresentar informações históricas e culturais de forma acessível, incorporadas à trajetória dos personagens e à própria aventura. Em vez de apenas reconstituir acontecimentos, de acordo com ele, a publicação aproxima passado e presente e mostra a relação entre patrimônio, natureza, cultura e vida comunitária.

“A publicação também estabelece uma relação entre patrimônio, natureza, cultura e memória, mostrando como esses elementos fazem parte da identidade do território. O gibi integra as ações do Viva Paricatuba, iniciativa construída com participação dos moradores para valorizar o patrimônio histórico, a cultura e a natureza, além de fortalecer empreendedores, organizar a atividade turística e criar novas oportunidades de geração de renda a partir das características do território”, comenta Bessa.

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