Nesta sexta-feira (7) estreia o espetáculo “Fafá de Belém, o Musical”, no Theatro da Paz. A montagem fará uma curta temporada até o dia 16, mostrando a trajetória da cantora cuja voz saiu da Amazônia para conquistar o país. O musical celebra os 50 anos de carreira da cantora que possui uma das trajetórias mais importantes para a música brasileira, reunindo canções, passagens históricas e lembranças afetivas da artista.

Foto: Edgar Machado
Sob a direção artística de Gustavo Gasparini, o espetáculo adota a abordagem de narrar a trajetória de Fafá de Belém a partir de três planos. O primeiro plano aborda o presente, retratando a gravação de um documentário sobre as cinco décadas de carreira da artista no próprio Theatro da Paz. Já no plano seguinte, a abordagem muda para as recordações da infância da artista em uma Belém lírica, povoada por personagens como a Cobra Grande, Boto, Tamba-Tajá e pelo Círio de Nazaré e as paisagens da floresta.
No plano final, a montagem acompanha a construção da carreira da artista paraense que ganhou destaque e projeção nacional em 1975, graças à interpretação de “Filho da Bahia” para a trilha da novela “Gabriela”, o terceiro plano destaca como a artista levou consigo a identidade amazônica para sua música, coisa que era até então pouco representada nos grandes meios de comunicação.
Para interpretar a cantora nos três planos, foi escolhido intérpretes diferentes para cada momento diferente na vida da cantora, são elas: Laura Saab, neta de Fafá, e Clarah Passos, para representar a infância da artista; Helga Nemetik, interpreta a fase de ascensão da cantora e Lucinha Lins dá vida a fase da cantora na maturidade.
A ideia da peça é traduzir teatralmente a personalidade, liberdade, força cênica e a relação profunda de Fafá com o Pará, fugindo da imitação. O coro “Carimbó-Siriá” acompanha a peça com seus atores e músicos para auxiliar na construção de diferentes fases da narrativa.
Durante o primeiro ato, o público é conduzido pela atmosfera amazônica e lembranças familiares, afetivas e religiosas de Fafá. A peça escolhe abordar tais lembranças com a mistura de mitos da floresta, com a relação com o músico Raul Mascarenhas e com a devoção à Nossa Senhora de Nazaré. Para o primeiro ato, músicas como “Amazônia”, “Pauapixuna”, “Bom Dia Belém”, “Foi Assim”, “Filho da Bahia”, “Cavalgada”, “Que Me Venha Esse Homem” e “Ave Maria” fazem parte do repertório musical.
Já no segundo ato da montagem, mostra a artista já consagrada, relembrando sua atuação em campanhas pelas Diretas Já, quando a cantora percorreu o país transformando “Menestrel das Alagoas” em uma música emblemática para o momento. O segundo ato abordará temas como a defesa dos direitos das mulheres, a proximidade com a comunidade LGBTQIA+, a ligação artística com Portugal e irá dialogar com novas gerações e sonoridades, incluindo o gênero musical tecnobrega.
O espetáculo ainda percorre por músicas de sucesso como “Bilhete”, “Sob Medida”, “Abandonada”, “Nuvem de Lágrimas” e “Coração do Agreste”. A peça termina fazendo referências ao Boi de Parintins e a interpretação de “Vermelho”, canção que se tornou ícone da identidade amazônica. Mais do que prestar homenagem à cantora, a peça procura celebrar a trajetória de uma mulher que fez sua própria voz e identidade amazônica ecoar para o Brasil todo.
Serviço
Local: Theatro da Paz, Praça da República, Belém
Data: 7 a 16 de agosto de 2026
Duração: 2h40
Classificação indicativa: 12 anos
Ingressos: Ticket Fácil