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Elas na literatura: 4 escritoras que você precisa conhecer

Ao longo da história da literatura mundial, muitas escritoras ganharam menos destaque em razão dos contextos social, político e até econômico em que viviam. Mesmo assim, elas conseguiram resistir e se tornaram reconhecidas. Selecionamos 4 escritoras extraordinárias que inspiram e empoderam a si e outras mulheres ao redor do mundo para você conhecer. 

Angela Davis

(Foto: Reprodução/Internet)

Nascida em Birmingham, Alabama, nos Estados Unidos, a educadora e professora Angela Davis tinha vinte anos quando surgiu, em 1965, a seita Ku Klux Klan, grupo racista que perseguia, torturava e matava negros. Na contra-corrente, ela e outros ativistas pelos direitos civis dos afro-americanos como Rosa Parks, Malcom X e Martin Luther King organizavam-se em grupos de resistência.

Com seus discursos combativos e punho sempre cerrado, Angela Davis se tornou um dos símbolos mundiais na luta pela igualdade – e também uma das ativistas mais perseguidas pelo Estado. Ela chegou a integrar a lista dos dez criminosos mais procurados do país e passou anos presa injustamente, após considerarem que ela estava envolvida em um assassinato. 

Seu livro mais conhecido é Mulheres, Raça e Classe, publicado em 1981. Ele é o pilar de tudo que a autora defende: a visão interseccional dessas três bandeiras.  

Carolina de Jesus

(Foto: Reprodução/Internet)

Negra, catadora de papel e favelada, Carolina Maria de Jesus foi uma escritora improvável para a sociedade em que vivemos. Filha de pais analfabetos, ela nasceu em 14 de março de 1914 em uma comunidade rural de Sacramento, Minas Gerais. Carolina foi maltratada durante toda sua infância, mas aos sete anos frequentou a escola – onde, em pouco tempo, aprendeu a ler e escrever e desenvolveu um amor pela literatura. 

Em 1937, mudou-se para São Paulo. Aos 33 anos, desempregada e grávida, mudou-se para a favela do Canindé, na zona norte da capital. Ela trabalhava como catadora de papel e, nas horas vagas, registrava o cotidiano da comunidade em cadernos que encontrava no material que recolhia. 

Um destes diários foi editado pelo jornalista Audálio Dantas e deu origem a Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada, seu primeiro livro, publicado em 1960. A obra virou best-seller, foi vendida em 40 países e traduzida para 16 idiomas.

Carolina teve fama, chegou a Europa, Ásia e América Latina, mas morreu em relativo esquecimento em 1977, aos 62 anos. Ainda hoje, sua vida inspira escritores, jornalistas e até mesmo ilustradores.

Uma das primeiras e mais importantes escritoras brasileiras, Carolina de Jesus vive naqueles que inspirou. 

Margaret Atwood

(Foto: Tara Ziemba/WireImage/Getty Images)

Margaret Atwood decidiu aos 16 anos de idade que seria escritora. De lá pra cá, a canadense de 80 anos escreveu, como ela mesma diz, “compulsiva e esperançosamente”. Do poema à prosa, a autora mergulhou em diferentes estilos e formatos, do romance à ficção científica, além de escrever livros infantis, de contos e até uma história em quadrinhos. O resultado é uma carreira que já soma mais de 60 títulos.

Autora de 16 romances e dez coletâneas de contos, Atwood se tornou um símbolo do feminismo atual, ainda que ela coloque certa resistência ao título. Para ela, uma escritora feminista só pode receber esse rótulo se sua obra for pensada de forma consciente a trabalhar o tema. 

A autora defende que as mulheres não podem ser consideradas inferiores aos homens, mas não devem ser julgadas caso escolham ser donas de casa. Em todos os seus livros a mulher encontra seu protagonismo, mesmo que todas elas sofram em suas narrativas. 

O Conto da Aia, um de seus livros mais conhecidos e que voltou ao sucesso após a história ser adaptada para a TV através da série The Handmaid’s Tale, da Hulu, foi publicado em 1985 e ganhou mais relevância nos últimos anos por conta da onda conservadora que se espalhou pelo mundo. O livro retrata uma sociedade em que os direitos das mulheres foram retirados e elas se tornam o centro de um novo sistema governamental. Elas, agora, passam a ser divididas em dois grupos: férteis e inférteis. As que podem ter filhos são mantidas nas casas dos governantes para, uma vez por mês, serem estupradas por eles. O objetivo imposto a essas mulheres é trazer novas vidas ao país. 

Rupi Kaur

(Foto: Reprodução/Internet)

Nos últimos anos, a escritora indiana Rupi Kaur tem dado o que falar. Com seus poemas inspiracionais, simples de perceber e internalizar, ela entrou pelo feed do Instagram direto para os corações de uma legião de fãs. Rupi tem 27 anos e uma história que a levou para a escrita: ela encontrou uma forma de lidar com o amor, a perda, o abuso infantil, a dor e, finalmente, a cura. Nascida em Panjabe, na Índia, ela emigrou com seus pais para Toronto, no Canadá, com apenas 4 anos de idade. 

Em Outros Jeitos de Usar a Boca, seu primeiro livro de poemas, os versos de Rupi são duros: tratam de abuso, violência, amor, sofrimento, maternidade, machismo e relacionamento.

*Essa e outras matérias da Revista Mercadizar você encontra neste link

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