
O Complexo Ver-o-Peso, em Belém, completa 399 anos nesta sexta-feira (27), consolidado como um dos principais símbolos culturais da capital paraense e a maior feira a céu aberto da América Latina. Ao longo das décadas, o espaço reúne histórias de feirantes que construíram suas vidas no local.
Entre os corredores da feira, histórias como a da erveira Socorro Loura revelam a tradição familiar do Ver-o-Peso. “Estou aqui desde a minha bisavó, Maria Laudeline. Ela comercializava ervas no chão e veio falecer com 110 anos. Mas antes disso, passou os ensinamentos para meu avô e depois para a minha mãe”, destacou Socorro.

Além das ervas, o Ver-o-Peso concentra uma diversidade de produtos típicos da Amazônia, como frutas regionais, temperos e ingredientes de origem indígena que fazem parte da culinária paraense.
O tucupi, base de diversos pratos da culinária paraense, é um dos itens mais vendidos por Maria Lindalva Pacheco. A feirante lembra que precisou assumir o negócio após ficar viúva, quando passou a sustentar os sete filhos.
“Quando fiquei viúva tive que assumir sozinha as vendas com sete filhos para criar, mas graças a Deus aqui é um local maravilhoso para trabalhar e por isso não me aposentei. Não sei viver sem meu Ver-o-Peso”, disse Maria Lindalva.

Reconhecimento
Reconhecido por sua relevância cultural e histórica, o Ver-o-Peso foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1977. Criado em 1627, o espaço evoluiu para um complexo formado por mercados e áreas tradicionais de comércio em Belém.
De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedcon), cerca de 20 mil pessoas circulam diariamente pelo Complexo Ver-o-Peso, entre clientes, trabalhadores e visitantes.