As fibras naturais da Amazônia marcaram presença no tapete vermelho do Oscar com o vestido usado pela atriz Alice Carvalho. A peça foi criada pela marca Normando e confeccionada com malva e juta produzidas pela Companhia Têxtil de Castanhal.

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A atriz integra o elenco do filme “O Agente Secreto”, indicado a quatro estatuetas. O look levou ao evento internacional elementos da moda brasileira aliados à bioeconomia, destacando o uso de matérias-primas amazônicas em um dos principais eventos do cinema mundial.
Com estrutura inspirada em um blazer, o vestido tem ombros marcados, bolsos e acabamento alinhavado à mão. A parte inferior apresenta caimento fluido, próximo à silhueta sereia, enquanto o forro de algodão foi aplicado para garantir conforto e usabilidade.
“Trabalhamos com as fibras da Castanhal no nosso dia a dia. Já apresentamos peças feitas com elas na São Paulo Fashion Week e no Baile da Vogue. O vestido mistura malva e juta e foi pensado para ser confortável, com atenção à ergonomia e ao toque na pele”, explica Emídio Contente, diretor criativo da Normando.
Fibras amazônicas ganham espaço na moda
A malva, fibra nativa da Amazônia, e a juta, introduzida na região na década de 1930, são tradicionalmente utilizadas em embalagens e sacarias, mas vêm sendo incorporadas a produções da moda contemporânea.
Além do aspecto estético, o uso dessas fibras também dialoga com práticas sustentáveis e com a valorização da cadeia produtiva da região Norte.
“Em um mundo em que quase todos os modelos já foram criados, a matéria-prima é o que existe de mais inovador. E não há nada mais tecnológico do que a floresta, com a tecnologia da natureza, da semente e da mão humana”, afirma Marco Normando, diretor criativo da marca.

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De acordo com Flávio Smith, diretor-executivo da Castanhal, a participação no evento representa um avanço para o setor. “Estar na origem de um vestido no Oscar coloca não só as fibras brasileiras, mas toda a sua cadeia produtiva, em um outro patamar. É um momento importante de valorização dos pequenos produtores de malva da Amazônia”, afirma.
A produção envolve comunidades ribeirinhas e segue o ciclo natural das cheias dos rios amazônicos, sem necessidade de irrigação artificial. A cadeia produtiva é rastreável e voltada à sustentabilidade.