A Mostra Café Preto reúne três espetáculos criados por artistas da cidade e acontece entre os dias 18 e 20 de março, sempre às 19h30, no Artemax Manaus, em Manaus. A programação tem entrada gratuita.

Imagem: Espetáculo Menino (Visão Periférica); Mojubá e Deusa Profana (Alonso Júnior)
Realizada pela Café Preto Produtora, a mostra apresenta as obras “Mojubá” (2024), de Correnteza Braba; “Menino” (2025), de Paulo Martins; e “Deusa Profana” (2025), de Randy Souza. Os espetáculos abordam temas ligados à espiritualidade afro-brasileira, às infâncias negras e às experiências de corpos dissidentes de gênero.
Espetáculos
Abrindo a programação, o espetáculo “Mojubá” parte das simbologias e saberes ligados às encruzilhadas para discutir as qualidades de subversão e ginga associadas a Exu. A criação reúne experimentações sonoras, luminosas, corporais e textuais na construção da narrativa.
A obra recebeu destaque em 2025 durante o Festival de Teatro da Amazônia, quando conquistou prêmios como melhor espetáculo, melhor atriz, melhor iluminação, melhor direção e melhor dramaturgia.
Outro trabalho apresentado é “Menino”, dirigido e produzido por Paulo Martins. O espetáculo aborda as infâncias negras em Manaus a partir de um relato autobiográfico ambientado na zona leste da capital, reunindo memórias da infância e juventude do artista e conflitos sociais e raciais presentes nesse percurso.
Encerrando a mostra, “Deusa Profana”, de Randy Souza, discute vivências e fabulações de corpos dissidentes de gênero, com foco na identidade travesti. A dramaturgia parte da tensão entre as imagens da “Deusa” e da “Profana” para discutir as múltiplas formas de existência de um corpo dissidente.
Para Randy Souza, a realização da mostra também representa um momento de encontro entre artistas e público.

Imagem: Espetáculo Menino (Visão Periférica); Mojubá e Deusa Profana (Alonso Júnior)
“Manaus pulsa arte, e realizar este projeto voltado para a comunidade trans, negra e periférica é uma forma de materializar nossas potências criativas e criar novas memórias coletivas na nossa cidade”, afirma.
Segundo a atriz e cofundadora Correnteza Braba, o projeto também reflete a trajetória de artistas que pesquisam essas temáticas na cidade.
“Essa mostra evidencia a trajetória coletiva de artistas negros e LGBTQIAPN+ e de suas pesquisas consolidadas, reafirmando a presença de uma prática artística contemporânea na cidade, comprometida com as pautas sociais que atravessam esse território e seus sujeitos. É também uma comemoração do teatro negro presente em Manaus”, destaca.