Uma das toadas do Boi Caprichoso ganhou uma nova versão com o lançamento do segundo single da série “Bumbá Beat”, intitulado “Bumbá Beat #2 – Canto da Mata”, releitura eletrônica de um clássico do boi-bumbá, composto por Alceo Anselmo e lançado originalmente em 1995. A faixa já está disponível em todas as plataformas de áudio, acesse pelo link: https://shre.ink/5MR9

A voz que interpreta a canção é de Patrick Araújo, atual levantador das toadas do boi azulado. Sua participação aproxima ainda mais o projeto de sua raiz tradicional, ao mesmo tempo que amplia o alcance para os territórios do cenário eletrônico.
“A presença do Patrick é fundamental porque ele é esse elo direto com o boi-bumbá. Ao mesmo tempo, foi muito interessante experimentar outras sonoridades para a voz dele, usando efeitos e distorções em prol da estética, para entender como essa voz tão ligada à tradição funciona em outros contextos”, destaca Pedro Kanan, um dos criadores do projeto musical.
Projeto “Bumbá Beat”
Realizado pelos músicos amazonenses Viktor Judah (produtor musical), Pedro Kanan (cantor e percussionista) e João Serrão (charango e flautas), o Bumbá Beat apresenta a proposta de reinterpretar toadas clássicas com uma ótica contemporânea, criando uma ponte entre a floresta e a cidade, entre o ancestral e o moderno, entre o tambor e o beat.

O primeiro lançamento foi a releitura de “Kananciuê”, intitulada como “Bumbá Beat #1 – Kananciuê”, que mesmo sendo o primeiro contato do público com a estética desenvolvida pelo grupo, foi bem recebida pelos ouvintes.
“Em Kananciuê, a gente tinha uma preocupação de como o público iria entender aquela estética eletrônica. Mas a resposta foi muito boa: as pessoas reconheceram aquilo como toada. Inclusive, mestres do Conselho de Arte do Caprichoso, como Adriano Aguiar e o próprio Ronaldo Barbosa, abraçaram a proposta. Essa confiança foi fundamental para dar esse segundo passo, que é mais ousado”, explica Pedro.
A estreia da série musical apresentou uma introdução gradual entre tradição e tecnologia, já em “Canto da Mata” a proposta avança de forma mais radical, apostando em uma experimentação eletrônica mais intensa, sem perder a essência original.
“Nessa versão de Canto da Mata, a gente decidiu ir muito mais a fundo na parte eletrônica do que na parte tradicional do boi. É uma experimentação que quer forçar os limites e entender o quão longe a toada consegue ir, sem perder sua pulsação e cadência, mas com elementos e texturas completamente diferentes do nosso primeiro single”, explica Viktor Judah.
Referências do pop contemporâneo
A contrução sonora de “Canto da Mata” incorpora influência de artistas que exploram fortemente o uso de sintetizadores e a mistura sonora com elementos tecnológicos, como Rosália e Pabllo Vittar.
“A gente trouxe referências de artistas do pop que trabalham muito bem o sintetizador. A introdução tem uma pegada bem próxima do The Weeknd. Outra inspiração nossa é o que a Pabllo Vittar fez em Batidão Tropical. A Rosalía também é uma referência importante, por misturar gêneros tradicionais com o eletrônico de maneira distorcida e quase robótica”, detalha Viktor.
Segundo o produtor, a faixa dialoga diretamente com gêneros da música eletrônica, como “techno” e “house”, trazendo uma estética voltada para a pista, não para a arena do festival.
“Essa versão não foi pensada para a arena, mas para a pista. Ela conversa muito mais com a música eletrônica, mas sem perder o ritmo da toada”, reforça.
Essa abordagem amplia o campo estético do projeto “Bumbá Beat” e prepara uma zona dedicadas à futuras experimentações que, segundo o trio, seguirá explorando diferentes técnicas sonoras ao longo dos próximos lançamentos. Com o “Canto da Mata”, o “Bumbá Beat” reafirma sua proposta de apresentar as toadas clássicas a um público mais jovem, expandindo a cultura local, preservando a memória e, ao mesmo tempo, projetando novos futuros para a música amazônida.