ComunicaçãoSociedade

É isso, não aquilo!

A cultura nortista é rica, diversa e cheia de particularidades, mas ainda é comumente interpretada de forma equivocada por quem olha de fora. Muitos costumes, expressões e tradições da região são conhecidos de forma distorcida, mantendo estereótipos e informações erradas. O problema não está apenas na falta de conhecimento, mas na resistência em buscar aprendizado e corrigir equívocos. 

Arte: Mercadizar

É Boi-Bumbá, não Bumba Meu Boi

O Bumba Meu Boi e o Boi-Bumbá são manifestações culturais brasileiras com a mesma origem, mas com características distintas. O Bumba Meu Boi surgiu no Maranhão, baseado no auto do boi e protagonizado por personagens como Pai Francisco, Mãe Catirina, o amo do boi, os indígenas e o Gazumbá. A tradição chegou ao Amazonas no fim do século XIX, trazida por migrantes maranhenses, e se desenvolveu primeiro em Manaus, antes de se tornar o principal símbolo cultural de Parintins.

Com o tempo, o Boi-Bumbá ganhou identidade própria na Amazônia, tornando-se um dos maiores espetáculos folclóricos do país. Sua expressão mais famosa é o Festival de Parintins, onde os bois Garantido (vermelho) e Caprichoso (azul) se enfrentam no Bumbódromo, em uma disputa marcada pela participação das galeras e pela musicalidade da toada: músicas que narram lendas e exaltações regionais.

A tradição do Boi-Bumbá vai além de Parintins, estando presente em todo o Norte. Em Manaus, bois como Corre Campo, Garanhão, Tira Prosa, Clamor de um Povo, Brilhante e Galante de Manaus mantêm viva a brincadeira. Em Guajará-Mirim (RO), o Duelo na Fronteira promove a disputa entre os bois Malhadinho e Flor do Campo. 

Caprichoso e Garantido (Foto: Pitter Freitas/ Secom Parintins)

É indígena, não “índio”   

O termo “índio” é genérico e pejorativo, e desconsidera a grande variedade cultural e  linguística entre os povos indígenas. Já “indígena” significa “originário, aquele que está ali antes dos outros” e reflete melhor a identidade única de cada etnia. O movimento indígena defende o uso do termo para respeitar e valorizar a diversidade e a autodenominação dos povos originários. O termo abrange diversidade cultural e pluralidade étnica dos povos originários: costumes próprios, crenças, línguas, conhecimentos tradicionais, diversas etnias, manifestações religiosas, organização social, ancestralidade, entre muitos outros.

É maniçoba, não feijoada 

A maniçoba é um prato típico do Pará e, diferente da feijoada tradicional, utiliza a maniva, a folha da mandioca brava, triturada no lugar do feijão. Embora seja semelhante à feijoada na presença de carnes de porco, a maniçoba tem raízes indígenas e é servida com arroz branco, farinha d’água e pimenta. Por ser um prato com preparação e ingredientes únicos, a forma correta de se referir a ele é maniçoba, e não feijoada.

Maniçoba (Odineia Santos)

É desenvolvimento sustentável, não é só mato

A região Norte não se resume somente à floresta. É também um polo de tecnologia e inovação. Manaus, por exemplo, abriga a Zona Franca, que impulsiona a produção de eletrônicos, motocicletas e outros produtos de alta tecnologia. Além disso, cidades como Belém e Porto Velho têm startups em crescimento e universidades desenvolvendo pesquisas de ponta em bioeconomia, inteligência artificial e sustentabilidade. A Amazônia não está desconectada do futuro, ela o constrói.

Zona Franca de Manaus (Foto: Secretaria Geral)

É cultura local, não exótico 

Muitos consideram a culinária e os costumes nortistas como algo “exótico”, como se fossem meras curiosidades distantes da cultura brasileira. Porém, pratos como tacacá, maniçoba e açaí fazem parte do dia a dia da população da maior região do país, assim como o Boi-Bumbá e outras manifestações culturais. O que para alguns parece diferente, para nós é identidade, história e tradição. 

É identidade, não é fantasia

Os trajes, as pinturas corporais e manifestações culturais dos povos indígenas e ribeirinhos não são adereços e figurinos folclóricos, mas expressões de identidade, pertencimento e tradição. Muitas dessas vestimentas e grafismos carregam significados profundos, ligados à ancestralidade, ao território e à visão de mundo desses povos. Reduzi-los a fantasias para festas temáticas ou eventos turísticos desvaloriza sua importância e reforça estereótipos que distorcem a verdadeira riqueza cultural do Norte.

Foto: Alexandre Moraes

É encantado, não personagem 

Os encantados indígenas não são personagens de histórias folclóricas, eles são seres espirituais profundamente ligados à cultura dos povos indígenas, integrantes da sua cosmovisão e das práticas espirituais. Yara, Saci, Curupira e tantos outros não fazem parte de um folclore, mas de um universo espiritual que rege a relação do ser humano com a natureza e os seres invisíveis. Reduzir essas entidades espirituais a personagens folclóricos é desrespeitar sua importância cultural e invisibilizar o papel que desempenham culturalmente. Para os povos indígenas, os encantados não são mitos ou lendas, mas guardiões da terra, regentes da natureza e figuras de sabedoria espiritual.

Mais recentes

Filmes, séries e TVOpinião

‘Cara-de-Barro’: A Autópsia do Vilão

Sem a presença do Batman, a nova aposta da Warner acompanha a deterioração psicológica de Matt Hagen, em uma história sobre a fronteira entre vítima e vilão em Gotham, marcada pelo horror corporal e pela rejeição
ArteEntretenimentoEventos

Espetáculo ‘P. Help – Inquietudes com o Fim’ estreia nesta sexta-feira com reflexões sobre morte, luto e transformação

Com entrada gratuita, montagem do NITAP será apresentada no Teatro da Instalação, às 20h, com histórias inspiradas nas periferias de Manaus e Macapá
Arte

Exposição gratuita reúne obras de 29 artistas amazonenses no Centro de Manaus

Mostra ‘Manaus é Plástico?’ abre nesta sexta-feira (23), no Mercado de Origem da Amazônia, com trabalhos inspirados nas vivências de diferentes bairros da capital
Sociedade

Casarão de Ideias abre galeria subterrânea da Belle Époque para visitação com entrada gratuita

O espaço, datado do final do Século 19, foi descoberto durante o restauro do prédio que abriga o centro cultural
Filmes, séries e TVOpinião

‘Cara-de-Barro’: A Autópsia do Vilão

Sem a presença do Batman, a nova aposta da Warner acompanha a deterioração psicológica de Matt Hagen, em uma história sobre a fronteira entre vítima e vilão em Gotham, marcada pelo horror corporal e pela rejeição
ArteEntretenimentoEventos

Espetáculo ‘P. Help – Inquietudes com o Fim’ estreia nesta sexta-feira com reflexões sobre morte, luto e transformação

Com entrada gratuita, montagem do NITAP será apresentada no Teatro da Instalação, às 20h, com histórias inspiradas nas periferias de Manaus e Macapá
Arte

Exposição gratuita reúne obras de 29 artistas amazonenses no Centro de Manaus

Mostra ‘Manaus é Plástico?’ abre nesta sexta-feira (23), no Mercado de Origem da Amazônia, com trabalhos inspirados nas vivências de diferentes bairros da capital
Sociedade

Casarão de Ideias abre galeria subterrânea da Belle Époque para visitação com entrada gratuita

O espaço, datado do final do Século 19, foi descoberto durante o restauro do prédio que abriga o centro cultural

Relacionadas

Comunicação

Inscrições abertas para laboratório que desenvolve filmes sobre crise climática para crianças e jovens

Bioma Palavra selecionará cinco projetos de longas-metragens de ficção; inscrições são gratuitas e seguem até 20 de outubro
Comunicação

Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog anuncia vencedores da 48ª edição

Cerimônia de premiação acontece dia 20 de outubro, em São Paulo, antecedida da 15ª Roda de Conversa com Ganhadores.
ComunicaçãoEntretenimentoSociedade

Ambev prorroga inscrições de edital para projetos de Carnaval até novembro

Iniciativas culturais podem se inscrever até 3 de novembro; chamada prevê R$ 67 milhões em recursos incentivados para projetos culturais e esportivos
Acessar o conteúdo