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Teatro Amazonas é homenageado em festival nacional de arquitetura e música

Depois de homenagear diferentes monumentos arquitetônicos no estado do Rio de Janeiro (1ª edição) e contemplar importantes palácios e museus Brasil afora (2ª edição), o Festival Interativo de Música e Arquitetura (FIMA), em sua terceira edição, se dedica a homenagear os teatros históricos do Brasil, promovendo uma convergência lúdica entre música e arquitetura em alguns dos mais importantes templos da arte e da cultura brasileira. Desta vez, os eventos acontecerão, até março de 2024, nos estados do Amazonas, Rio de Janeiro, Paraíba, Pará, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, e Pernambuco, oferecendo concertos presenciais e virtuais, podcast, websérie, conteúdos interativos, aulas magnas e ações educativas para escolas.

A nova temporada se inicia no dia 5 de outubro, quinta-feira, às 20h em Manaus, no icônico Teatro Amazonas, com a renomada soprano Daniella Carvalho, sob a batuta do maestro Luiz Fernando Malheiro à frente da Amazonas Filarmônica. Participarão ainda o historiador Allan Diego Carneiro, a restauradora Judeth Costa e o arquiteto Marcos Cereto, que abordarão a história, memória e as riquezas arquitetônicas desse belo teatro. Todas as apresentações do FIMA têm entrada gratuita.

Créditos: Marcio James

Concerto e história

O concerto inaugural da terceira edição do FIMA traz um repertório cuidadosamente selecionado para dialogar com a história, a arquitetura eclética e a arte decorativa desta joia arquitetônica manauara, um edifício inaugurado em 1896 durante o auge do ciclo da borracha, que se tornou um símbolo da opulência e do cosmopolitismo que reinaram na cidade de Manaus. 

O Salão Nobre com seu piso de madeira brasileira e europeia, composto por cerca de 12 mil pedaços de madeiras nobres; lustres de vidro de Murano; colunas com base de mármore de Carrara; espelhos trazidos da Itália e França e um teto pintado por Domenico de Angelis terá suas características barrocas lembradas pela ária “Lascia ch’io pianga”, da ópera “Rinaldo”, de Handel. O local também será celebrado com duas canções, “Acalanto da Rosa” e “Ouve o Silêncio”, de um dos maiores nomes da música manauara, o compositor Claudio Santoro. A emotividade de sua obra congrega, assim como este espaço, elementos que ressoam as riquezas culturais da Amazônia e do Brasil para o mundo.

A área do teatro, onde os barões da borracha se encontravam no intervalo das apresentações, também será enaltecido pela música “Canção de Amor”, da obra “Floresta do Amazonas”, de Heitor Villa-Lobos. Uma música que ecoa as pinturas das paredes e do teto que retratam as belezas da floresta tropical.

Saindo do Salão Nobre de forma etérea, o programa segue com a obra “Prélude à l’après-midi d’un faune”, de Claude Debussy, obra que bem representa o universo da Belle Époque em que este teatro foi construído, chegando até a cúpula concebida pela Casa Koch-Frêres, de Paris, em 1895, adornada com 36 mil peças de escamas em cerâmica esmaltada e telhas vitrificadas, vindas da Alsácia, na França. Celebrando as pinturas de sua estrutura interna – quatro telas fixadas sob o teto abobadado que foram pintadas em Paris pela Casa Carpezot – e os momentos memoráveis que este espaço abrigou ao longo de sua história, o programa segue com “Abertura de Tannhäuser”, uma das obras mais populares e reconhecíveis de Richard Wagner, compositor que revolucionou a ópera com seu conceito de obra de arte total, integrando música, poesia e cenografia em uma experiência artística coesa e inovadora.

A peça também é representativa do estilo de Wagner ao usar leitmotifs, pequenos temas musicais que representam personagens, emoções ou ideias, que são desenvolvidos e transformados ao longo da obra. A obra de Wagner também será lembrada para celebrar os 25 anos de história do mais longevo e importante evento lírico do Brasil, o Festival Amazonas de Ópera (FAO) – o compositor teve quase a totalidade de sua obra realizada ao longo das mais de duas décadas deste icônico projeto, com destaque para o ciclo completo do “Anel de Nibelungo”, que foi reconhecido e amplamente festejado internacionalmente.

Para comemorar os 26 anos da Amazonas Filarmônica (orquestra oficial do FAO e do Teatro Amazonas, na qual Luis Fernando Malheiro atua, desde 1999, como Diretor Artístico e Regente Titular), será apresentado o “Intermezzo” da Ópera “Cavalleria Rusticana”, de Pietro Mascagni.

Destacando a importância da elite da Belle Époque manauara, que financiou a construção do teatro, uma das óperas mais famosas de Puccini, “La Bohème”, que estreou em 1896, o mesmo ano em que o Teatro Amazonas foi inaugurado.  A obra, que imortaliza a vida de jovens boêmios em Paris, é especialmente conhecida pela sua ária “Donde Lieta Usci”, na qual a protagonista se despede de seu amado reconhecendo que o amor deles não pode resistir às adversidades e à pobreza que os cercam. Já o amor pelas artes, tão característico no Teatro Amazonas, resistiu ao declínio econômico que seguiu o fim do ciclo da borracha, mantendo-se como um farol da cultura até hoje naquela que já foi chamada de a “Paris dos Trópicos”.

O concerto se encerra com uma viagem no tempo até o dia da estreia da primeira ópera encenada neste teatro, especificamente no dia 7 de janeiro de 1897, “La Gioconda”, de Amilcare Ponchielli. Dela, será apresentada Ária: “Danza delle Ore”, remetendo o público à primeira récita interpretada pela Companhia Lírica Italiana e regida pelo maestro Joaquim de Carvalho Franco. Desde essa estreia, de Bidu Sayão a Eliane Coelho, de Procópio Ferreira a Fernanda Montenegro, de Tatiana Leskova a Ana Botafogo, de Guiomar Novais a Nelson Freire, grandes nomes da ópera, do Teatro, da dança e da música brasileira estiveram neste palco histórico. 

Programação

Seguindo no objetivo de construir uma relação afetiva do público com os patrimônios visitados pelo projeto, através de um diálogo cativante e multissensorial,  o Festival Interativo de Música e Arquitetura, em sua terceira edição, irá celebrar também importantes orquestras brasileiras: a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (Belém); a Orquestra Sinfônica do Recife; e a Orquestra Acadêmica da Universidade Federal de Juiz de Fora, além da participação especial da Orquestra Sinfônica Jovem de Berlim, reverenciando o Theatro Municipal de Niterói.

Além da programação presencial, o FIMA amplia sua presença digital. Os “Concertos Virtuais FIMA” serão exibidos gratuitamente nas redes sociais do festival, em formatos tradicionais e 360º. A websérie “Obras em Nota” antecipará o que será apresentado levando aos espectadores um entendimento mais claro sobre as escolhas das obras apresentadas em cada local, enquanto o podcast “Diálogos FIMA” trará insights e entrevistas com músicos, palestrantes e convidados especiais.    

O FIMA também se dedica à educação musical, oferecendo aulas magnas gratuitas com artistas renomados e o projeto “FIMA na Escola”, uma ação educacional com o objetivo de sensibilizar crianças, estimulando novos caminhos de valorização de suas identidades culturais. Tudo isso para que melhor compreendam a importância do patrimônio histórico de suas comunidades.

 

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