Isabella Botelho; 13/01/2021 às 17:00

Facebook cria cargo de VP de direitos civis nos EUA

Objetivo é levar um maior entendimento sobre as demandas e necessidades dos negros e outras minorias para dentro da empresa

O Facebook anunciou na última terça-feira, 12, a criação do cargo de vice-presidente de direitos civis. A posição será ocupada por Roy Austin Jr, advogado e defensor dos direitos civis  que participou do conselho de política doméstica na Casa Branca de 2014 a 2017, durante o segundo governo de Barack Obama.

A criação do cargo é uma resposta às demandas feitas por entidades ligadas aos direitos civis dos Estados Unidos, como a Anti-Defamation League e NAACP (sigla de Associação Nacional pelo Progresso de Pessoas de Cor), que no ano passado encabeçaram o movimento #StopHateForProfit, que pedia aos anunciantes que retirassem sua publicidade da rede social por um mês (no caso, em julho de 2020). Entre os pedidos das entidades à rede social estava a criação de uma liderança específica para as pautas de direitos civis.

A proposta é levar para dentro da companhia um maior entendimento sobre as demandas e necessidades dos negros e de outros grupos marginalizados. “Além de contratar Roy Austin como nosso VP de Direitos Civis, também estamos trabalhando para trazer mais expertise sobre o assunto em nossas áreas centrais. Nós estamos em processo de desenvolvimento de treinamentos sobre direitos civis aos nossos funcionários e de desenvolvimento de políticas e produtos sobre o tema, em parceria com o escritório de advocacia de direitos civis Relman Colfax”, declarou o Facebook em comunicado.

A criação do cargo acontece em um momento urgente nos Estados Unidos, com a nação lidando com a invasão anti-democrática ocorrida no Capitólio, na semana passada, um ato instigado pelo discurso de ódio presente nas mídias sociais. O próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi considerado um desses instigadores, por conta do tom de suas publicações no Facebook e Twitter, chegando a ser suspenso e banido, respectivamente. 

Vale ressaltar também que em junho de 2020, diversas entidades ligadas aos direitos civis se reuniram com o Facebook para alertar sobre a forma como grupos violentos vinham utilizando a plataforma para disseminar discursos de ódio e instigar a violência na época em que diversas cidades dos Estados Unidos viam crescer as manifestações pelo assassinato de George Floyd, acontecimento que acabou suscitando debates e protestos sobre violência policial e racismo. À época, Donald Trump usou as redes sociais para comentar sobre os protestos e publicou que, quando se iniciassem os saques, também começariam os tiros, instigando a repressão violenta por parte da polícia. Executivos do Facebook fizeram reuniões com representantes das entidades e uma das principais reivindicações era a contratação de um executivo responsável pelo atendimento às pautas e aos assuntos relativos aos direitos civis.

 

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