Isabella Botelho; 30/12/2019 às 15:00

O que marcou a indústria cultural na última década?

Movimentos sociais, tecnologia e rapidez mudaram os rumos da indústria cultural dos últimos 10 anos

Marcada pela velocidade dos acontecimentos e inédita turbulência vinda dos noticiários, a década de 2010 registrou uma sequência de eventos de alto impacto no Brasil e no mundo, da política à cultura, da ciência aos costumes. 

A última década da indústria cultural foi marcada por escândalos sexuais e movimentos em prol da pluralidade racial e de gênero nos mais diversos campos da sociedade. Vimos também a ascensão do streaming e de gêneros musicais antes marginalizados pelo pop americano alterarem a dinâmica de produção e consumo de conteúdo. 

Movimento #OscarsSoWhite

(Foto: Reprodução)

Iniciado em 2015, durante a semana em que foram anunciados os indicados ao Oscar de 2016, o Movimento #OscarsSoWhite criticou a ausência de diversidade racial entre os atores concorrentes. Também foi criticada a ausência de Creed: Nascido para Lutar, que tem um protagonista negro, entre os indicados para melhor filme, assim como Straight Outta Compton: A História do N.W.A, que tem elenco predominantemente negro e recebeu indicações nas três premiações das associações de escritores, produtores e atores. 

Em protesto, atores e produtores anunciaram boicote à cerimônia e reabriram uma velha discussão sobre mudanças na estrutura de indicados ao Oscar, bem como a escolha e composição dos membros da Academia com direito a voto. Como resposta, a Academia aprovou um novo planejamento para melhorar a diversidade entre seus membros e prometeu dobrar o número de mulheres e o que chamou de “membros que representem a diversidade” até 2020.

Ao longo desses quatro anos, a Academia realmente cumpriu sua promessa: foram chamados 322 novos profissionais em 2015, 683 em 2016, 774 em 2017 e 928 em 2018. Sendo cerca de metade destes convites enviados a mulheres e/ou pessoas não brancas. Como resultado, dos cerca de 9 mil integrantes, 16% são negros e 31% são mulheres. Em 2015, essas porcentagens eram de 8% e 25%, respectivamente. A verdade é que ainda há um longo caminho pela frente, mas o progresso é inegável. O objetivo da instituição é dobrar, até 2020, a quantidade de pessoas pertencentes a estes grupos.

É a partir de múltiplos olhares que o Oscar pode reconhecer histórias variadas. Se há quatro anos não havia praticamente nenhum negro ou latino concorrendo às principais categorias, desta vez o panorama é outro, como reforçou Spike Lee em seu discurso após a cerimônia de 2019. Este ano, além de Infiltrado na Klan, de Lee, os concorrentes Pantera Negra e Green Book também levantaram temas raciais. E o mexicano Alfonso Cuarón, diretor do aclamado Roma, levou a estatueta de melhor diretor, o que, nos EUA de 2019, tem um enorme peso simbólico e político. 

(Foto: Reprodução)

Hollywood contra o assédio

Hollywood nunca mais foi a mesma após janeiro de 2018, quando vieram a público graves denúncias de assédio sexual contra o produtor Harvey Weinstein, magnata da indústria cinematográfica. Em ação nunca vista antes, atrizes (e atores) do mais alto escalão se abriram para falar sobre os problemas de discriminação e violência sexual dentro do cinema e da TV, expondo uma faceta sombria de um mundo glamuroso, que envolvia abuso de poder, assédio, estupro e ameaças de ostracismo.

Essa onda de denúncias resultou em dois grandes movimentos, o #MeToo e o Time’s Up, que tiveram caminhos abertos por outras duas campanhas abraçadas por Hollywood, a Ask Her More e o #HeForShe. 

(Foto: Reprodução)

Antes de as acusações contra Weinstein irem a público, já havia uma tendência por sequências de filmes com heroínas, como Lucy, Star Wars: O Despertar da Força e Jogos Vorazes. Posteriormente, festivais e estúdios prometeram promover o equilíbrio entre filmes dirigidos por homens e mulheres para próximo de 50/50. As coisas estão mudando, mesmo que lentamente. O futuro é feminino. 

O triunfo do streaming

O setor do entretenimento mundial, que sempre conviveu com um ambiente em constante mutação, agora se vê diante de uma ruptura. Atualmente, os vídeos já respondem por mais de 70% do tráfego global de dados na Internet. Nessa expansão em curso em boa parte do mundo, as empresas de streaming contam com pelo menos uma vantagem: a tecnologia permite que elas adotem uma eficaz política de preços. Na era digital, o custo para produzir e distribuir uma cópia de um bem de informação, como um filme ou uma música, é quase zero, afinal, não é necessário produzir DVD ou CD e nem pensar na logística de distribuição, que envolve caixas para que os produtos cheguem às lojas, por exemplo.

Maiores bilheterias do cinema na década

Das 10 maiores bilheterias, 8 filmes foram produzidos e lançados entre os anos de 2012 e 2019. São eles:  

  1. Vingadores: Ultimato (2019) – US$ 2,790 bilhão
  2. Avatar (2009) – US$ 2,789 bilhão
  3. Titanic (1997) – US$ 2,187 bilhão
  4. Star Wars: O Despertar da Força (2015) – US$ 2,068 bilhão
  5. Vingadores: Guerra Infinita (2018) – US$ 2,048 bilhão
  6. Jurassic World: O mundo dos dinossauros (2015) – US$ 1,671 bilhão
  7. Os Vingadores (2012) – US$ 1,518 bilhão
  8. Velozes e Furiosos 7 (2015) – US$ 1,516 bilhão
  9. Vingadores: A Era de Ultron (2015) – US$ 1,405 bilhão
  10. O Rei Leão (2019) – US$ 1,351 bilhão
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