Isabella Botelho; 11/09/2020 às 19:00

#MercadizarIndica: suspense, críticas e dilemas da minissérie ‘Little Fires Everywhere’ 

Série estreou em março deste ano e foi indicada ao Emmy

Não é novidade para ninguém que, mesmo com pouco tempo no mercado, a Amazon Prime Video, plataforma de streaming da Amazon, já apresentou várias e ótimas produções, como The Boys e Hunters, das quais já falamos um pouco por aqui. Hoje, vamos apresentar mais uma produção disponível no streaming que merece um pouco da sua atenção: a série Little Fires Everywhere, original da Hulu.

Lançada pela Hulu em março deste ano, Little Fires Everywhere causou um grande burburinho entre público e especialistas, sendo até mesmo indicada ao Emmy, a premiação mais importante da televisão. Adaptação da obra literária de mesmo nome escrita por Celeste Ng, que se inspirou na cidade onde cresceu, a série traz as atrizes Reese Witherspoon e Kerry Washington como protagonistas e aborda como tema principal o racismo estrutural, o elitismo e o privilégio branco. 

A trama conta a história de uma família bem-sucedida que mora na cidade tradicional de Shaker Heights, no estado norte-americano de Ohio. Comandada pela jornalista Elena Richardson (Reese Witherspoon), a família vê suas vidas mudarem radicalmente após a chegada de Mia Warren (Kerry Washington) e Pearl (Lexie Underwood), mãe e filha de uma classe social diferente que se mudam para uma casa de aluguel da família. 

Lendo assim, pode parecer apenas mais do mesmo que já estamos acostumados: um drama vazio sobre rivalidade feminina e famílias brancas ricas de cidades perfeitas do interior que são o espelho do racismo. No entanto, a série é o oposto disso. Quando seus filhos se aproximam, as vidas das famílias se entrelaçam e nos é apresentada uma história que envolve o conflito de classes, racismo, saúde mental, bem como um questionamento do real significado da maternidade. Além disso, a história faz uma dura crítica ao “white savior” (o branco salvador, na tradução literal) que vemos personificado em Elena. Ao longo da série, são diversas as vezes em que ela diz não ser racista e tenta provar isso a todo o custo, se achando na obrigação de “salvar os negros” abusando de seus privilégios. 

A produção aborda não só a questão racial, como também faz críticas ao mito da família perfeita, um foco de Elena. Quanto mais ela tenta atingir essa perfeição, mais disfuncional sua família acaba se tornando. A personagem de Reese Witherspoon tenta construir a filha mais velha como uma versão ainda mais perfeita dela mesma que, na verdade, também nunca chegou a alcançar essa meta.

Com uma estética dos anos 1990, aos poucos somos apresentados a pequenos incêndios (conflitos) familiares, raciais e de classes que acontecem enquanto mistérios se desenrolam com flashbacks e muitas decisões maternais erradas que, quando acumuladas, explodem. É impossível não relacionar a trama com questões de política social, uma vez que elas são criadas perfeitamente adaptadas para gerar debates.

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